Uma das poucas obras que conheço que trate do tema filosofia e artes marciais é, pasmem, "Martial arts and philosophy: beating and nothingness"(Graham Priest e Damon Young). Achei muito bom, principalmente para curiosos e iniciantes em filosofia como eu.
O livro contém a opinião e experiências de diversos artistas marciais que tenham formação em filosofia. O capítulo 11 "Iaido, Aikido and the Other" trata de... aikidô. Nele a autora, Tamara Kohn, faz um paralelo entre a prática do aikidô e o pensamento de um Emannuel Lévinas. Lévinas foi um filósofo contemporâneo que viveu na Europa das guerras mundiais. Dentre diversos pontos, ele tratava da alteridade, da preocupação com o Outro. Outro com letra maiúscula mesmo, daí no título do capítulo a autora usar "Other" ao invés de "other". Morihei Ueshiba e Lévinas foram contemporâneos, viveram em um sociedade com profundas transformações e afetada por duas grandes guerras mundiais. Apesar de nunca terem se conhecido e tampouco O'Sensei poder ser considerado um filósofo, pensaram de forma igual. No livro a autora escreve algo que, para mim, sintetiza bem o aikidô e a forma de pensar de ambos e que transcrevo abaixo em uma tradução livre:
"O filósofo do século 20, Emannuel Lévinas, tinha um grande interesse em ética e as responsabilidades que cada indivíduo tem com as outras pessoas em seu mundo. Quando os "Eu"s e os outros se encontram(no treino, no trabalho, em casa, na rua) a qualquer momento haverá o que Lévinas chama de "mutualidade desigual"(novamente lembro que trata-se de uma tradução livre) no encontro. Ele escreveu, "Eu sou responsável pelo Outro sem esperar por reciprocidade, ainda que eu morra por isso. Reciprocidade é uma questão dele."(Totality and infinity, Martinus Nijhoff, 1961, pag. 98). Se isso for verdade, então a promessa de reciprocidade NÃO é o que motiva a você e a mim a agir de forma responsável e com cuidado, mesmo que isso seja parte da equação como um todo - apenas estar com os outros é o que faz isto.
Então se você pensar sobre o encontro em um tatame na prática do aikidô, esta responsabilidade que você tem com o Outro acontece antes do toque - antes da energia do ataque do Outro fazer seu corpo se mover em resposta."
Em termos mais simples, seja o que você quer que os outros sejam. Isso não é o bastante, é bobagem? Então lembre-se daquele ditado: vento que venta lá, venta cá. Cuide do outro se quiser ser cuidado. Bateu? Vai levar! Mas sabendo que isso não significa, de forma nenhuma, em fazer uma prática fraca, falsa. É preciso treinar firme, polir o corpo e o espírito, mas com respeito aos limites de cada um, pelo que aquela pessoa é e pelo que ela representa.
Considero que o aikidô não tem filosofia. O aikidô é o resultado dos pensamentos de um ser humano diante do contexto em que vivia. Lévinas e outros filósofos escreviam livros, davam palestras para demonstrar seus pensamentos. O'Sensei criou o aikidô para isso.
quinta-feira, 10 de maio de 2018
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
Por que o aikido atrai tão pouco as mulheres?
Claramente a presença masculina domina o mundo das artes marciais e, claro, não poderia ser diferente em nossa arte. Poucos são os nomes femininos em destaque no aikido nacional e internacional.
Apenas muito recentemente surgiram nomes como os de Micheline Tissier, Yoko Okamoto e Nadia Korichi. Mais antigas temos Stephanie Yap e Pat Hendricks. No Brasil se destacam Fumie Nishida e Marai Luiza Serzedello como mais graduadas, ambas 6º dan atualmente. Na verdade a coisa parece ser tão séria que no último congresso da IAF(2016 em Takasaki no Japão) houve uma rodada de discussões dedicadas a isso.
Poderíamos apelar para a cultura brasileira, aonde tipicamente as mulheres não se interessam por atividades de combate. Elas sempre tendem a escolher atividades mais lúdicas ou criativas como dança ou artes plásticas. Outras trilham o caminho das artes marciais geralmente para extravasar a agressividade, competir ou como ginástica. Algumas por terem sido "forçadas", como Micheline Tissier(veja entrevista dela no Youtube).
Mas como atrair mais praticantes? Talvez mostrando a elas o quão benéfico, porém demandante, é a prática do aikidô. Exigirá muita dedicação, mas trará diversos benefícios. Um grande exemplo disso li recentemente no livro “Martial Arts and Philosophy: Beating and Nothingness”(Graham Priest, Damon A. Young), aonde a autora de um dos textos, Patricia Petersen, discorre sobre como o karate a ajudou a trilhar e consolidar a sua posição feminista(capítulo 9 - Grrrrl in a Gi). E para isso ela explica como a prática diligente do karatê a transformou de uma pessoa com tendências a aceitar a submissão e até mesmo relacionamentos relativamente abusivos em alguém segura de si, tanto no aspecto físico quanto psicológico. É um relato muito interessante, ainda que assuma um tom um pouco autoconfiante demais. Ali ela também divulga números de uma pesquisa feita na Austrália que demonstra o quanto as mulheres ainda se tornam vítimas. Claro que o texto se aplica a qualquer arte marcial e se chegasse a mais mulheres no Brasil poderíamos ter uma mudança neste cenário. No cenário do número de praticantes e, principalmente, no número de casos de violência contra elas, que poderia diminuir muito. Não somente por aprenderem a se defender fisicamente, mas principalmente a evitarem a situações de risco. Gosto de dizer que antes de bater é mais importante não apanhar. A prevenção é sempre melhor negócio. Abaixo segue uma tradução livre de um pequeno trecho do texto:
“Uma mulher faixa-preta tipicamente não se expõe a riscos desnecessários - não estaciona em lugares escuros, está sempre atenta a alguém que possa a estar seguindo, nunca deixa sua porta destrancada, procura saber quem está na porta antes de abrir, não desce do ônibus no meio do nada, garante que o ambiente em que ela está seja seguro.” (Patricia Petersen).
Como dica deixo também o link para o blog de Lila Serzedello sensei:
https://lilaserzedello.wordpress.com/
Tomara que um dia esse cenário mude.
quinta-feira, 27 de julho de 2017
Desmistificando o aikidô - Parte 2
Recentemente fui convidado para ministrar um workshop na faculdade Estácio/CEUT em Teresina(Piauí/Brasil). Dentre os temas solicitados me foi pedido para falar sobre a filosofia do aikidô.
Sempre considerei a filosofia a arte de quem não sabe fazer nada. A habilidade de sobreviver sem ter nenhuma habilidade. Coisa de vagabundo. Até começar a pesquisar sobre o assunto como preparação para o evento. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que minha vida sempre foi pautada pela filosofia e que eu mesmo sou esse vagabundo. Foi pela filosofia que decidi pelo aikidô e até a minha profissão.
Quando comecei a praticar, lá em 1992, havia uma pergunta na ficha de inscrição da academia sobre o motivo da minha inscrição. Por que eu queria fazer aikidô? Essa pergunta me perseguiu e sempre me incomodou. Não respondi. O estoicismo tem a resposta. Platão também em seu mito da caverna. Ou não.
Na verdade talvez essa seja a grande pergunta: por que treinar aikidô?(veja meu artigo anterior) por que treinar uma arte marcial?
A filosofia propõe uma profunda reflexão sobre "o que é". Os grandes pensadores, tanto do ocidente quanto do oriente, buscaram elaborar bem essa pergunta. Mas não só num aspecto contemplativo, ficar sentado meditando. Os estoicos(assim como Platão) tinham uma proposta prática. A filosofia deve ser aplicada na vida, no seu dia a dia. E para isso criaram os exercícios espirituais(Pierre Hadot). O estoicismo define a filosofia como a arte de viver bem. Uma arte que busca uma profunda conversão na alma e no modo de vida. Alguma semelhança com as mensagens de O'Sensei?
Estes exercícios espirituais, que não estão necessariamente associados à religião(ainda que a igreja católica tenha bebido dessa fonte), se referem à prática diária dos princípios da filosofia: o fortalecimento do corpo e consequentemente da alma, a disciplina, a visualização do negativo, a paciência e o foco no momento presente, respeito próprio e pelos outros e controle sobre suas emoções. E o aikidô pode ser a ferramenta perfeita para executar estes exercícios. Alguns desses aspectos eu já havia escrito quando falei das diversidades, da desmistificação do aikido em outro texto ou na tradução de sobre o que é um bom dojo.
Baseado no que disse Platão, a arte marcial não deveria servir apenas para o desenvolvimento de habilidades físicas, mas na transformação do praticante em uma pessoa melhor para a sociedade. Ao adquirir essas virtudes, e você irá adquiri-las seja de forma consciente ou não, em maior ou menor grau, você torna-se essa pessoa. Por isso, toda vez que você entrar no dojo lembra-te que aquilo que você irá fazer é uma lição de vida. Ainda que inicialmente sejam apenas sombras, liberte-se e vá em busca da fonte, busque a luz que gera essas sombras. Aí você se tornará um bom lutador, um bom artista marcial, um bom budoca, uma boa pessoa. Aí todo o seu treino e dedicação terão valido a pena.
Sempre considerei a filosofia a arte de quem não sabe fazer nada. A habilidade de sobreviver sem ter nenhuma habilidade. Coisa de vagabundo. Até começar a pesquisar sobre o assunto como preparação para o evento. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que minha vida sempre foi pautada pela filosofia e que eu mesmo sou esse vagabundo. Foi pela filosofia que decidi pelo aikidô e até a minha profissão.
Quando comecei a praticar, lá em 1992, havia uma pergunta na ficha de inscrição da academia sobre o motivo da minha inscrição. Por que eu queria fazer aikidô? Essa pergunta me perseguiu e sempre me incomodou. Não respondi. O estoicismo tem a resposta. Platão também em seu mito da caverna. Ou não.
Na verdade talvez essa seja a grande pergunta: por que treinar aikidô?(veja meu artigo anterior) por que treinar uma arte marcial?
A filosofia propõe uma profunda reflexão sobre "o que é". Os grandes pensadores, tanto do ocidente quanto do oriente, buscaram elaborar bem essa pergunta. Mas não só num aspecto contemplativo, ficar sentado meditando. Os estoicos(assim como Platão) tinham uma proposta prática. A filosofia deve ser aplicada na vida, no seu dia a dia. E para isso criaram os exercícios espirituais(Pierre Hadot). O estoicismo define a filosofia como a arte de viver bem. Uma arte que busca uma profunda conversão na alma e no modo de vida. Alguma semelhança com as mensagens de O'Sensei?
Estes exercícios espirituais, que não estão necessariamente associados à religião(ainda que a igreja católica tenha bebido dessa fonte), se referem à prática diária dos princípios da filosofia: o fortalecimento do corpo e consequentemente da alma, a disciplina, a visualização do negativo, a paciência e o foco no momento presente, respeito próprio e pelos outros e controle sobre suas emoções. E o aikidô pode ser a ferramenta perfeita para executar estes exercícios. Alguns desses aspectos eu já havia escrito quando falei das diversidades, da desmistificação do aikido em outro texto ou na tradução de sobre o que é um bom dojo.
Baseado no que disse Platão, a arte marcial não deveria servir apenas para o desenvolvimento de habilidades físicas, mas na transformação do praticante em uma pessoa melhor para a sociedade. Ao adquirir essas virtudes, e você irá adquiri-las seja de forma consciente ou não, em maior ou menor grau, você torna-se essa pessoa. Por isso, toda vez que você entrar no dojo lembra-te que aquilo que você irá fazer é uma lição de vida. Ainda que inicialmente sejam apenas sombras, liberte-se e vá em busca da fonte, busque a luz que gera essas sombras. Aí você se tornará um bom lutador, um bom artista marcial, um bom budoca, uma boa pessoa. Aí todo o seu treino e dedicação terão valido a pena.
quarta-feira, 21 de junho de 2017
Por que treinar aikidô?
Me recordo do dia que comecei, não da data exata(foi em outubro de
1992), mas dos acontecimentos. Tinha 22 anos de idade. A matrícula fiz
na hora do almoço(trabalhava ali perto) para a noite já começar, de
quimono e tudo.
Para fazer a inscrição era necessário responder uma pergunta: qual o motivo da sua vontade em treinar aikidô?. Não preenchi. E não o fiz por que não sabia a resposta. Nem mesmo os filmes de Seagal da época eram motivo, como tantos informaram. Até mesmo por que nunca havia associado Seagal ao aikidô. Aliás, não sabia absolutamente nada do que era o aikidô. Portanto, se você está lendo esse texto procurando uma resposta objetiva para que você comece a treinar, leia até o final, é curtinho.
Cumprimentei o professor e me apresentei antes da aula. Os alunos mais antigos me orientaram nos passos iniciais de entrada no tatame. Perdido, tentei seguir a aula. Irimi nage e shiho nage. A dica de um senpai sobre o fato do nage sempre ter que estar confortável e o uke na situação oposta. Dica que guardo e tento praticar até hoje. Foi interesse instantâneo. O desequilíbrio sem usar força bruta, a movimentação, o uso do corpo, tudo me interessou profundamente. A falta de competições e o fato de treinar para mim, sem precisar provar nada a ninguém foram a "cereja do bolo".
Os dias de treinos se passavam, se transformaram em meses e alguns anos. Até que durante um treino meu braço foi quebrado. Falta de perícia minha e também do nage. Tudo indicaria que ali acabaria o amor com a arte. Puro engano! Gesso, fisioterapia e logo em seguida a volta aos tatames, de forma definitiva. Surpresa para muitos, talvez alguns até quisessem que ali tivesse sido meu fim. Não foi. Tiveram que me engolir. E não foi por que uma arte marcial também serve para isso. Superar seus limites e obstáculos. Devidamente superados.
Alguns anos depois disso meu professor resolve parar de dar aula. Assumiu em seu lugar um aluno faixa marrom(1º kyu). Ficamos no dojo basicamente apenas eu e ele. Todos os outros alunos migraram para outro dojo, aonde o professor, também 1º kyu, atraía mais a atenção. Dessa vez, nova e maior superação, a falta de uma orientação sólida. Aí aprendi que o aikidô se faz também fora do tatame. E foi nesse instante que percebi que realmente não havia mais saída para mim, a arte fazia parte da minha vida.
Mudei de grupo, de professor, de cidade, de forma de treinar. Evoluí, aprendi. Cheguei à faixa preta(16 anos para isso) com um aikidô sólido. Mais 5 anos e atingi o segundo dan. Um total de 21 anos até então. Muitos nesse período já haviam chegado ao quarto ou quinto dan(nem tão habilidosos), outros pararam(muitos muito habilidosos). Nesse período tive a oportunidade de fundar o grupo Aikidô Piauí(2013), de participar de diversos seminários, inclusive do doshu Moriteru Ueshiba, e de treinar fora do Brasil. E ano que vem(2018), se tudo der certo, a visita ao Japão.
Sou aluno e professor, uma experiência completa, que melhora meu aikidô a cada dia. Que me faz ter certeza do caminho certo que tomei. Hoje, 25 anos depois(2017), me orgulho de cada passo que dei dentro da arte.
Mas, enfim, por que treinar aikidô? Para mim porquê me permitiu viver isso tudo, me permitiu ser uma pessoa do mundo, me permitiu conhecer como as outras pessoas são, me deu mais disposição para enfrentar as dificuldades, me deu mais confiança diante dos desafios, me deu o que sou hoje, uma pessoa bem melhor que há 25 anos atrás.
Não foi o bastante para você? Tudo bem! Tenho certeza que você ainda encontrará o seu "aikidô".
De toda forma acho que não custa nada tentar. Venha nos fazer uma visita, uma aula experimental. Aguardamos você. Um abraço!
Para fazer a inscrição era necessário responder uma pergunta: qual o motivo da sua vontade em treinar aikidô?. Não preenchi. E não o fiz por que não sabia a resposta. Nem mesmo os filmes de Seagal da época eram motivo, como tantos informaram. Até mesmo por que nunca havia associado Seagal ao aikidô. Aliás, não sabia absolutamente nada do que era o aikidô. Portanto, se você está lendo esse texto procurando uma resposta objetiva para que você comece a treinar, leia até o final, é curtinho.
Cumprimentei o professor e me apresentei antes da aula. Os alunos mais antigos me orientaram nos passos iniciais de entrada no tatame. Perdido, tentei seguir a aula. Irimi nage e shiho nage. A dica de um senpai sobre o fato do nage sempre ter que estar confortável e o uke na situação oposta. Dica que guardo e tento praticar até hoje. Foi interesse instantâneo. O desequilíbrio sem usar força bruta, a movimentação, o uso do corpo, tudo me interessou profundamente. A falta de competições e o fato de treinar para mim, sem precisar provar nada a ninguém foram a "cereja do bolo".
Os dias de treinos se passavam, se transformaram em meses e alguns anos. Até que durante um treino meu braço foi quebrado. Falta de perícia minha e também do nage. Tudo indicaria que ali acabaria o amor com a arte. Puro engano! Gesso, fisioterapia e logo em seguida a volta aos tatames, de forma definitiva. Surpresa para muitos, talvez alguns até quisessem que ali tivesse sido meu fim. Não foi. Tiveram que me engolir. E não foi por que uma arte marcial também serve para isso. Superar seus limites e obstáculos. Devidamente superados.
Alguns anos depois disso meu professor resolve parar de dar aula. Assumiu em seu lugar um aluno faixa marrom(1º kyu). Ficamos no dojo basicamente apenas eu e ele. Todos os outros alunos migraram para outro dojo, aonde o professor, também 1º kyu, atraía mais a atenção. Dessa vez, nova e maior superação, a falta de uma orientação sólida. Aí aprendi que o aikidô se faz também fora do tatame. E foi nesse instante que percebi que realmente não havia mais saída para mim, a arte fazia parte da minha vida.
Mudei de grupo, de professor, de cidade, de forma de treinar. Evoluí, aprendi. Cheguei à faixa preta(16 anos para isso) com um aikidô sólido. Mais 5 anos e atingi o segundo dan. Um total de 21 anos até então. Muitos nesse período já haviam chegado ao quarto ou quinto dan(nem tão habilidosos), outros pararam(muitos muito habilidosos). Nesse período tive a oportunidade de fundar o grupo Aikidô Piauí(2013), de participar de diversos seminários, inclusive do doshu Moriteru Ueshiba, e de treinar fora do Brasil. E ano que vem(2018), se tudo der certo, a visita ao Japão.
Sou aluno e professor, uma experiência completa, que melhora meu aikidô a cada dia. Que me faz ter certeza do caminho certo que tomei. Hoje, 25 anos depois(2017), me orgulho de cada passo que dei dentro da arte.
Mas, enfim, por que treinar aikidô? Para mim porquê me permitiu viver isso tudo, me permitiu ser uma pessoa do mundo, me permitiu conhecer como as outras pessoas são, me deu mais disposição para enfrentar as dificuldades, me deu mais confiança diante dos desafios, me deu o que sou hoje, uma pessoa bem melhor que há 25 anos atrás.
Não foi o bastante para você? Tudo bem! Tenho certeza que você ainda encontrará o seu "aikidô".
De toda forma acho que não custa nada tentar. Venha nos fazer uma visita, uma aula experimental. Aguardamos você. Um abraço!
terça-feira, 6 de junho de 2017
Qual o tamanho do aikidô no Brasil?
Sabemos que o aikidô se tornou uma das artes marciais mais populares do mundo. Na França é praticado por mais de 2 mil pessoas. Mas, e no Brasil? Como é o cenário do aikidô em nossa terra? Sempre tive curiosidade em saber isso e fiz um grande levantamento sobre o assunto.
Antes de tudo é importante informar que não utilizei qualquer metodologia científica para elaborar este estudo. Não trata-se de um trabalho acadêmico, mas tão somente uma curiosidade. Todos os dados foram retirados dos grupos que possuem sites na internet, e por isso não necessariamente refletem a completa realidade, uma vez que frequentemente estão desatualizados ou não refletem a total realidade dos dojos a eles filiados. Além disso há grupos que simplesmente não possuem qualquer referência pública.
O levantamento tratou de mapear exclusivamente dojos filiados à Aikikai. Num futuro pretendo colocar as outras entidades de aikido presentes no Brasil.
Todo o levantamento foi resumido numa planilha que pode ser acessada clicando aqui. Os dados são de uso livre, solicito apenas que a fonte seja citada e me seja informado o uso deles.
Estes dados refletem até o dia 6/6/2017 e naturalmente ao longo do tempo já não serão tão fiéis à realidade. Uma revisão poderá ser feita ano que vem.
Algumas conclusões que tirei:
- Há hoje 14 entidades ligadas à Aikikai em atividade no país. Estas entidades podem ser nacionais ou internacionais ou apenas a representação(formal ou não) de algum shihan internacional. As entidades são:
. Associação de Aikido do Norte da Carolina(EUA) - Robert Nadeau shihan
. Associação Pesquisa de Aikido(Brasil) - Keizen Ono shihan
. Brazil Aikikai(Brasil) - Wagner Bull shihan
. Círculo de Aikido(Brasil) - Luis Gentil sensei
. Federação Brasileira de Aikido(Brasil) - Severino Sales sensei
. Federação Mineira de Aikido(Brasil) - Claude Walla sensei
. Federação Paulista de Aikido(Brasil) - Makoto Nishida shihan
. Instituto Maruyama de Aikido(Brasil) - Robert Maruyama sensei
. Kohirajuku Kanie Dojo(Japão) - Yoshikazu Yamada sensei
. Makoto Aikido Kyokai(EUA) - Larry Reinossa sensei
. Sansuikai International(EUA) - Yoshimitsu Yamada shihan
. Shikanai shihan(dojos ligados à Ichitami Shikanai shihan)(Brasil) - Ichitami Shikanai shihan
. Tissier shihan(dojos ligados à Christian Tissier shihan)(França) - Christian Tissier shihan
- Há um total de pelo menos 358 dojos de aikido espalhados pelo Brasil
- Apenas Acre e Tocantins não contam com o aikidô
- O ranking das entidades considerando todo o país em quantidade de representantes ficou assim:
1º) União Sul-americana de Aikido com 74 dojos
2º) Brazil Aikikai com 73 dojos
3º) Sansuikai International com 64 dojos
4º) Federação Paulista de Aikido com 38 dojos
5º) Associação Pesquisa de Aikido e Shikanai shihan com 29 dojos cada
6º) Instituto Maruyama de Aikido com 18 dojos
7º) Federação Brasileira de Aikido com 17 dojos
8º) Federação Mineira de Aikido com 12 dojos
9º) Círculo de Aikido com 7 dojos
10º) Kohirajuku Kanie Dojo com 6 dojos
11º) Tissier shihan com 3 dojos
12º) Makoto Aikido Kyokai com 2 dojos
13º) Associação de Aikido do Norte da California
- O ranking de dojos espalhados por regiões do Brasil ficou assim:
1º) Sudeste com 231 dojos
2º) Nordeste com 61 dojos
3º) Sul com 53 dojos
4º) Centro-oeste com 20 dojos
5º) Norte com 8 dojos
- O ranking por estados ficou asim:
1º) São Paulo com 122 dojos
2º) Rio de Janeiro com 57 dojos
3º) Minas Gerais com 38 dojos
4º) Bahia com 25 dojos
5º) Santa Catarina com 23 dojos
6º) Paraná com 17 dojos
7º) Espírito Santo com 14 dojos
8º) Rio Grande do Sul com 13 dojos
9º) Distrito federal com 12 dojos
10º) Pernambuco com 9 dojos
11º) Sergipe com 8 dojos
12º) Ceará com 7 dojos
13º) Goiás e Rio Grande do Norte com 5 dojos cada
14º) Alagoas e Pará com 3 dojos cada
15º) Maranhão, Mato Grosso do Sul e Rondônia com 2 dojos cada
16º) Amapá, Amazonas. Mato Grosso, Paraíba, Piauí e Roraima com 1 dojo cada
17º) Acre e Tocantins sem nenhum dojo
Todos esse valores são extremamente dinâmicos e podem variar diariamente.
Bom, os dados aí estão. Divirta-se extraindo deles o que mais te interessar. Em breve serão convertidos em um software com banco de dados.
Todas estas informações e outras poderão ser acessadas em "Mapeamento do aikidô brasileiro" no nosso menu acima.
Abraços.
Antes de tudo é importante informar que não utilizei qualquer metodologia científica para elaborar este estudo. Não trata-se de um trabalho acadêmico, mas tão somente uma curiosidade. Todos os dados foram retirados dos grupos que possuem sites na internet, e por isso não necessariamente refletem a completa realidade, uma vez que frequentemente estão desatualizados ou não refletem a total realidade dos dojos a eles filiados. Além disso há grupos que simplesmente não possuem qualquer referência pública.
O levantamento tratou de mapear exclusivamente dojos filiados à Aikikai. Num futuro pretendo colocar as outras entidades de aikido presentes no Brasil.
Todo o levantamento foi resumido numa planilha que pode ser acessada clicando aqui. Os dados são de uso livre, solicito apenas que a fonte seja citada e me seja informado o uso deles.
Estes dados refletem até o dia 6/6/2017 e naturalmente ao longo do tempo já não serão tão fiéis à realidade. Uma revisão poderá ser feita ano que vem.
Algumas conclusões que tirei:
- Há hoje 14 entidades ligadas à Aikikai em atividade no país. Estas entidades podem ser nacionais ou internacionais ou apenas a representação(formal ou não) de algum shihan internacional. As entidades são:
. Associação de Aikido do Norte da Carolina(EUA) - Robert Nadeau shihan
. Associação Pesquisa de Aikido(Brasil) - Keizen Ono shihan
. Brazil Aikikai(Brasil) - Wagner Bull shihan
. Círculo de Aikido(Brasil) - Luis Gentil sensei
. Federação Brasileira de Aikido(Brasil) - Severino Sales sensei
. Federação Mineira de Aikido(Brasil) - Claude Walla sensei
. Federação Paulista de Aikido(Brasil) - Makoto Nishida shihan
. Instituto Maruyama de Aikido(Brasil) - Robert Maruyama sensei
. Kohirajuku Kanie Dojo(Japão) - Yoshikazu Yamada sensei
. Makoto Aikido Kyokai(EUA) - Larry Reinossa sensei
. Sansuikai International(EUA) - Yoshimitsu Yamada shihan
. Shikanai shihan(dojos ligados à Ichitami Shikanai shihan)(Brasil) - Ichitami Shikanai shihan
. Tissier shihan(dojos ligados à Christian Tissier shihan)(França) - Christian Tissier shihan
- Há um total de pelo menos 358 dojos de aikido espalhados pelo Brasil
- Apenas Acre e Tocantins não contam com o aikidô
- O ranking das entidades considerando todo o país em quantidade de representantes ficou assim:
1º) União Sul-americana de Aikido com 74 dojos
2º) Brazil Aikikai com 73 dojos
3º) Sansuikai International com 64 dojos
4º) Federação Paulista de Aikido com 38 dojos
5º) Associação Pesquisa de Aikido e Shikanai shihan com 29 dojos cada
6º) Instituto Maruyama de Aikido com 18 dojos
7º) Federação Brasileira de Aikido com 17 dojos
8º) Federação Mineira de Aikido com 12 dojos
9º) Círculo de Aikido com 7 dojos
10º) Kohirajuku Kanie Dojo com 6 dojos
11º) Tissier shihan com 3 dojos
12º) Makoto Aikido Kyokai com 2 dojos
13º) Associação de Aikido do Norte da California
- O ranking de dojos espalhados por regiões do Brasil ficou assim:
1º) Sudeste com 231 dojos
2º) Nordeste com 61 dojos
3º) Sul com 53 dojos
4º) Centro-oeste com 20 dojos
5º) Norte com 8 dojos
- O ranking por estados ficou asim:
1º) São Paulo com 122 dojos
2º) Rio de Janeiro com 57 dojos
3º) Minas Gerais com 38 dojos
4º) Bahia com 25 dojos
5º) Santa Catarina com 23 dojos
6º) Paraná com 17 dojos
7º) Espírito Santo com 14 dojos
8º) Rio Grande do Sul com 13 dojos
9º) Distrito federal com 12 dojos
10º) Pernambuco com 9 dojos
11º) Sergipe com 8 dojos
12º) Ceará com 7 dojos
13º) Goiás e Rio Grande do Norte com 5 dojos cada
14º) Alagoas e Pará com 3 dojos cada
15º) Maranhão, Mato Grosso do Sul e Rondônia com 2 dojos cada
16º) Amapá, Amazonas. Mato Grosso, Paraíba, Piauí e Roraima com 1 dojo cada
17º) Acre e Tocantins sem nenhum dojo
Todos esse valores são extremamente dinâmicos e podem variar diariamente.
Bom, os dados aí estão. Divirta-se extraindo deles o que mais te interessar. Em breve serão convertidos em um software com banco de dados.
Todas estas informações e outras poderão ser acessadas em "Mapeamento do aikidô brasileiro" no nosso menu acima.
Abraços.
terça-feira, 30 de maio de 2017
Nova enciclopédia do aikido brasileiro: um trabalho em progresso
Há muitos anos tento elaborar este material, mas a verdade é que reunir as informações não é nada fácil. Mesmo com a internet, muitos grupos e pessoas ainda fazem questão de se manterem anônimas.
Construir esta enciclopédia é um trabalho muito difícil. Durante um breve tempo tivemos na internet a enciclopédia do Aikido Journal e, no Brasil, a Aikipedia. Ambas saíram do ar. Mas hoje comecei a organizar as ideias e a buscar os dados dos grupos, pessoas, etc. A versão 2017 possivelmente só será liberada ao final do ano e mesmo assim incompleta, devido ao forte dinamismo da cena aikidoca brasileira atual. Mas sairá.
Para quem não sabe, aqui no blog lanço anualmente o "Ranking Brasil"(lista das pessoas a partir do 4º dan no aikido aikikai brasileiro) e justamente por estar acostumado com esse esforço. caí dentro desse novo desafio.
Aguardem!
Construir esta enciclopédia é um trabalho muito difícil. Durante um breve tempo tivemos na internet a enciclopédia do Aikido Journal e, no Brasil, a Aikipedia. Ambas saíram do ar. Mas hoje comecei a organizar as ideias e a buscar os dados dos grupos, pessoas, etc. A versão 2017 possivelmente só será liberada ao final do ano e mesmo assim incompleta, devido ao forte dinamismo da cena aikidoca brasileira atual. Mas sairá.
Para quem não sabe, aqui no blog lanço anualmente o "Ranking Brasil"(lista das pessoas a partir do 4º dan no aikido aikikai brasileiro) e justamente por estar acostumado com esse esforço. caí dentro desse novo desafio.
Aguardem!
sexta-feira, 10 de março de 2017
Stanley Pranin - 24/07/1945 ~07/03/2017
Faleceu na última terça-feira o sensei e pesquisador Stanley Pranin. Pranin era um dos maiores, senão o maior e mais importante, pesquisador do aikidô em todos os seus aspectos. Ele criou e manteve durante mais de 30 anos o Aikido Journal, primeiro como um jornal em papel e depois migrado para a internet. Viveu no Japão onde estudou com os melhores, principalmente com Morihiro Saito sensei,
Recentemente ele havia sido diagnosticado com um câncer de estômago em estado avançado. Inclusive foi criada uma campanha na internet para obter o dinheiro necessário para o tratamento.
Fica o seu legado. Sem dúvida criei este blog(e o antigo aikidobr) fortemente influenciado por ele.
O meu agradecimento e condolências à família e a todos que sentirão sua falta!
Recentemente ele havia sido diagnosticado com um câncer de estômago em estado avançado. Inclusive foi criada uma campanha na internet para obter o dinheiro necessário para o tratamento.
Fica o seu legado. Sem dúvida criei este blog(e o antigo aikidobr) fortemente influenciado por ele.
O meu agradecimento e condolências à família e a todos que sentirão sua falta!
Morihiro Saito, Stanley Pranin e Koichi Tohei
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Kagami Biraki 2017
Este ano não aconteceu a cerimônia, não sei ao certo por que, mas de toda forma a Aikikai liberou a lista com as promoções. O que nos interessa são aqueles a partir do 5º dan. Então vamos aos brasileiros contemplados este ano.
- Carlos Eduardo Rodriguez Bueno - São Paulo
7º dan
- Wagner Bull - São Paulo
6º dan
- Alberto Ferreira - Rio de Janeiro
- Carlos Alberto Silva Santos - Bahia
- José Magal - Atualmente em Israel
- Nelson Mitsuo Takayanagi - Distrito Federal
- Rodolfo Luis Reolon - Paraná
- Vagner Seiyu Tome - São Paulo
5º dan
- Carlos Eduardo Rodriguez Bueno - São Paulo
- Eidi Arai - São Paulo
- Emilia Cardoso Martinez - São Paulo
- Ernesto Chapiro Martini - São Paulo
- Ioshico Fushimi Hannari - São Paulo
- Italo Domingos Fioravanti - Paraná
- Kim Ruschel - São Paulo
- Paulo Ivan Volochyn
Parabéns a todos!
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
O guia do aikidoca para treinar no Hombu Dojo de Tóquio
Este texto foi escrito por Guillaume Erard e publicado em seu site. O texto original em inglês pode ser lido clicando aqui.
Hotéis
Internet cafés
Cybercafés(mangakissa) são bastante diferentes no Japão se comparados aos do ocidente. Na verdade, o mercado imobiliário tem estado tão difícil que uma boa parcela da população, principalmente estudantes, passam as noites nestes lugares quando não tem condições de pagar um aluguel. Uma vez lá, ¥1,000 te garantem um cubículo com um sofá confortável, uma TV, um computador e outros dispositivos para entretenimento. Claro que você pode passar a noite dormindo ao invés de ler mangá ou ficar jogando. Tem banheiros e as vezes até chuveiros. De fato, a fórmula ficou tão popular entre os jovens que os mangakissas atualmente até oferecem aluguéis semanais. Para o aikidoca viajante esta pode não ser a opção mais adequada, mas é bom saber que ela existe caso o dinheiro comece a encurtar.
Capsule Hotels
Capsule hotels(Hotéis cápsula) são conhecidos por serem extremamente baratos e até bastante confortáveis, mas enquanto são ótimas opções para mochileiros, eles às vezes podem ser bastante barulhentos para o praticante sério que deseja se recuperar após um dia de treino. O distrito de Kabukicho tem uma boa quantidade destes hotéis, mas, de novo, a atmosfera geral da área pode ser a melhor para descansar.
Esta é uma tradução livre.
Frequentemente recebo emails de pessoas buscando informações sobre como treinar no Hombu Dojo. Infelizmente nem sempre tenho o tempo que gostaria para responder a todos, então pensei em tratar desse assunto formalmente em um artigo. Para muitos praticantes de Aikido é um sonho poder um dia treinar no Quartel General do Aikido em Tóquio. Graças a Deus este sonho pode eventualmente se tornar realidade a medida que mais e mais pessoas viajam ao Japão para estudar no Aikikai Hombu Dojo por alguns dias, semanas e até meses. Enquanto alguns tem a sorte de viajar com um Sensei ou Sempai que conhecem os ins e outs do lugar e pode atuar como um guia, outros estarão fazendo a viagem por conta própria. O projeto pode ser fonte de grande desafio e animação, mas também pode ser a causa de alguns temores. Algumas das perguntas mais frequentes são: onde poderei ficar? o que devo levar? quanto custa treinar? em quais aulas posso ir? quais as regras que devo me ater?
Por favor, perceba que este é um trabalho em desenvolvimento e se você tiver alguma sugestão ou comentário que ajude a melhorá-lo, por favor fique a vontade para comentar ao final do artigo. Treinar no Aikikai Hombu Dojo é muito divertido e pode ser uma experiência que pode mudar sua vida(com certeza assim o foi para mim) então espero que este artigo possa trazer as respostas às suas perguntas ou talvez convencê-lo a fazer a viagem. Então espero poder te encontrar lá no tatame.
N.B: fiz um mapa dos principais locais ao final do artigo.
O que é o Aikikai Hombu Dojo
A Fundação Aikikai (Quartel-general Mundial do Aikido) (財団法人合気会 Zaidan Hojin Aikikai) foi criada em 1940 pelo segundo doshu Kisshomaru Ueshiba, o filho de O Sensei Morihei Ueshiba. O objetivo da organização é desenvolver e divulgar o Aikido, tanto nacional como internacionalmente, enquanto serve como referência técnica para seus instrutores ao redor do mundo. O Aikikai Hombu Dojo abriga o quartel-general da organização e consiste de um prédio de 5 andares construído em 1967 em substituição a estrutura em madeira original. A área total de treinamento cobre aproximadamente 220 tatames e o dojo principal representa metade desta superfície(105 tatames; 162 metros quadrados). O segundo maior dojo (72 tatames; 112 metros quadrados) serve como área de treinamento para as aulas de iniciantes, crianças e mulheres enquanto o terceiro(42 tatames; 65 metros quadrados) serve a aulas particulares ou especiais. As aulas acontecem nos dois principais dojos, sete dias por semana, e são conduzidas por um staff de instrutores que consiste de 30 senseis japoneses.
Hospedagem em Tóquio
O Hombu Dojo não tem nenhum tipo de estrutura de acomodação a aikidocas viajantes e portanto a hospedagem é de sua responsabilidade. Hospedagem em Tóquio pode ser bem cara, especialmente em áreas centrais como Shinjuku, onde o Hombu Dojo está localizado. Contudo há diversas opções que cabem em carteiras de qualquer tamanho. Neste artigo focarei exclusivamente nas opções que estejam a uma distância caminhável do Hombu Dojo. Claro que existem muitas outras alternativas, mas seria muito tedioso descrevê-las aqui. Também tenha em mente que o transporte pode representar uma quantia significativa caso alguém pretenda treinar de manhã e a noite portanto i que você economizar em hospedagem ficando um pouco mais longe pode não valer o custo e o aborrecimento do deslocamento. Pessoalmente, eu sou certamente um defensor de ficar em uma distância caminhável de forma a poder facilmente ir e vir do dojo e comer alguma coisa, lavar meu keikogi, ou tirar um cochilo entre as aulas.
Hotéis
Internet cafés
Cybercafés(mangakissa) são bastante diferentes no Japão se comparados aos do ocidente. Na verdade, o mercado imobiliário tem estado tão difícil que uma boa parcela da população, principalmente estudantes, passam as noites nestes lugares quando não tem condições de pagar um aluguel. Uma vez lá, ¥1,000 te garantem um cubículo com um sofá confortável, uma TV, um computador e outros dispositivos para entretenimento. Claro que você pode passar a noite dormindo ao invés de ler mangá ou ficar jogando. Tem banheiros e as vezes até chuveiros. De fato, a fórmula ficou tão popular entre os jovens que os mangakissas atualmente até oferecem aluguéis semanais. Para o aikidoca viajante esta pode não ser a opção mais adequada, mas é bom saber que ela existe caso o dinheiro comece a encurtar.
Capsule Hotels
Capsule hotels(Hotéis cápsula) são conhecidos por serem extremamente baratos e até bastante confortáveis, mas enquanto são ótimas opções para mochileiros, eles às vezes podem ser bastante barulhentos para o praticante sério que deseja se recuperar após um dia de treino. O distrito de Kabukicho tem uma boa quantidade destes hotéis, mas, de novo, a atmosfera geral da área pode ser a melhor para descansar.
- Ace Inn (dormitórios e cápsulas)
- Kuyakusyo-mae Capsule Hotel(apenas homens)
- Capsule Hotel
- Green Plaza Shinjuku
Hotéis de negócio
Existem alguns hotéis de "negócio" nas vizinhanças do Hombu Dojo. Estes hotéis oferecem quartos a um preço moderado para profissionais viajantes. Oferecem quarto simples, semi-duplo e duplo. Três pessoas podem tranquilamente dividir os quartos maiores o que torna o preço total bastante razoável. Dentre os hotéis mais próximos ao Hombu Dojo estão:
Tracei no mapa(linha verde) o caminho mais fácil para se chegar caminhando ao Hombu Dojo a partir dos hotéis Tateshina, Listel e Business. No caminho você passará por uma loja de conveniências com um caixa eletrônico que aceita a maioria dos cartões estrangeiros, alguma lavanderias automáticas, um supermercado, e muitas outras lojas, inclusive uma padaria! Falando sobre lavanderias, uma delas está convenientemente localizada ao lado de um sento(casa de banho) aonde você pode ira após o treino e relaxara enquanto seu lava/seca seu keikogi.
Aluguéis
Caso você pretenda ficar um tempo ou desejar ficar por conta própria para experimentar uma vida independente em Tóquio, você pode estar interessado na possibilidade de alugar seu próprio apartamento. Há disponíveis nos mais diversos valores e tempo de estadia.
Aluguéis semanais
Aluguéis mensais
Transporte em Tóquio
Do Aeroporto Internacional de Narita para Tóquio
O Hombu Dojo fica localizado no distrito central de Shinjuku. Dependendo de onde seja a sua acomodação, você poderá ir direto do aeroporto. Há duas opções principais para chegar lá a partir do aeroporto de Narita.
Táxis
Recomendo fortemente que você NÃO pegue um táxi a partir do aeroporto, já que ele fica há 60 km do centro de Tóquio. Além do fato de que isso irá te custar um braço e uma perna, também te tomará muito mais tempo para chegar do que qualquer das outras opções.
Ônibus Limusine
Este ônibus te levará do aeroporto de Narita até a estação de Shinjuku em 85 a 145 minutos por aproximadamente ¥ 3000. Ônibus limusine definitivamente te oferecem a melhor vista(comparado ao trem) e eu certamente recomendaria esta alternativa aos que irão pela primeira vez já que oferecem um ótimo aperitivo para o visual urbano da capital e dos arredores. Também te permitirá ter uma noção do tamanho da megalópole. Contudo, te recomendaria esta opção apenas se você estiver com tempo já que o tempo da viagem depende do trânsito no caminho. O mesmo vale para a volta ao aeroporto, certifique-se de sair com muita antecedência se você pretende pegar o ônibus no horário do rush(que, de uma forma geral, é o tempo todo aqui).
Narita Express
O trem Narita Express(N'Ex) vai direto para estação de Shinjuku em aproximadamente 83 minutos e custa ¥ 3110(4600 na primeira classe). Este é o modo mais rápido e confiável para chegar aonde você quer, mesmo que o cenário não seja tão agradável. Porém você irá gostar do espaço disponível para as pernas(mesmo na classe econômica) e o serviço de comida e bebida no caminho. O Narita Express para mim é o modo menos doloroso para chegar/sair do aeroporto.
Indo para o Hombu Dojo a partir da estação de Shinjuku
A forma mais fácil é pegar a linha Oedo para a estação Wamakatsu-kawada(9 min.). De lá, você pode caminhar até o Hombu Dojo(400 m).
Indo para o hotel a partir da estação da estação de Shinjuku
Se você optar ficar em um dos hotéis de negócio, você deverá ir até a estação Shinjuku Sanchome. Da estação de Shinjuku você poderá ir caminhando ou pegar a linha Toei Shinjuku(1 parada). Tracei no mapa(linha azul) o caminho para o hotel pela saída C7 da estação Shinjuku Sanchome.
Questões quanto à alimentação em Tóquio
Supermercados e lojas de conveniência
Uma coisa muito prática no Japão são suas incontáveis combini(lojas de conveniência) aonde, ao contrário do ocidente, você realmente poderá encontrar comida decente e fresca. Dentre FamilyMart, am/pm, Daily Yamazaki, Lawson Bell, Sunkus, Mini Stop and 7eleven, você poderá preferir o último já que ele te oferece um caixa eletrônico que aceita uma grande gama de cartões de crédito e de débito, especialmente cartões estrangeiros. Se você for ficar no Japão por um pouco mais de tempo, você também descobrirá que a combini são o centro da vida japonesa pelos serviços que oferecem tais como pagamento de contas, comprar ingressos para shows e passagens de avião, etc. E a maioria aina é equipada com máquinas de fotocópia, scanners e serviços de postagem que podem ser úteis durante sua estadia.
Para uma comida mais elaborada, o supermercado Marusho oferece uma grande variedade de frutas frescas, carnes e vegetais além das tradicionais produtos enlatados e empacotados. Fica basicamente no caminho a partir do Hombu Dojo voltando para os principais hotéis de negócio, logo você se verá indo frequentemente lá.
O que fazer quando você estiver no Hombu Dojo
Assitindo a uma aula
É possível assistir tanto as aulas regulares quanto para iniciantes em qualquer horário embora não possa encorajá-lo o bastante para treinar ao invés de assistir. Certifique-se de chegar cedo o bastante antes da primeira aula para fazer o check-in na recepção. Alguém da recepção geralmente irá conduzi-lo ao segundo andar.
Quem for assistir a aula deve sentar-se no fundo do dojo(no chão de madeira) e não deve conversar com nenhum participante. A forma correta de sentar é tanto em seiza(ajoelhado) ou agura(com as pernas cruzadas). Você verá praticantes avançados virem assistir as aulas(mitori-geiko) ficar mudando a posição de lótus para ajoelhados durante a reverência inicial e final e quando o professor estiver demonstrando as técnicas. A menos que o sensei te dê uma autorização especial, não é possível tirar fotos ou filmar durante a aula.
Frequentando as aulas
Antes de tudo, para poder treinar no Hombu Dojo, você deve ser um membro da Fundação Aikikai. Yudanshas reconhecido pela aikikai são registrados de facto desde seu exame de shodan, outros quando se registram em seus respectivos dojos. De toda forma você deve apresentar seu cartão de membro da Aikikai aonde consta seu número de registro. Não se preocupe caso você ainda não seja um membro da Fundação Aikikai, você pode se registrar na hora(os horários de atendimento são: Seg.-Sáb. 6:00-19:30, Dom. 8:30-11:30) antes da sua primeira sessão de treinamento preenchendo um formulário e pagando uma taxa de ¥ 8400 que te garantirá ser membro por toda sua vida. Você deverá apresentar seu cartão antes de cada sessão de treino. Existem dois tipos de cartões, um é para iniciantes e viajantes e o outro para alunos regulares(que estejam treinando por muitos meses e se graduando no Hombu Dojo). Dependendo da duração a sua estada, você deve requisitar um ou outro.
Visitantes podem participar tanto das aulas regulares quanto das de iniciantes, mas não de aulas especiais. Com relação às aulas específicas para mulheres contudo, apesar que as da parte da manhã necessitam uma filiação especial, as da noite são acessíveis a todas que tenham pago a taxa básica. A taxa básica é uma diária de ¥ 1575 que te permitirá você participar de quantas aulas você quiser no dia(verifique no site da Fundação Aikikai os horários e os professores). Se você pretende ficar algumas semanas ou mais em Tóquio, considere pagar a taxa mensal(¥ 10500 de segunda a sábado; ¥ 13650 de segunda a domingo). Importante notar que esta taxa se refere ao período do início ao fim do mês e não por 30 dias a partir do seu pagamento. Muitos comentem o erro de assumir esta última situação e acabam por ter que pagar mais. Portanto lembre-se disso quando se registrar para evitar criar uma situação constrangedora para o pessoal da recepção.
Horários e professores
Quem for assistir a aula deve sentar-se no fundo do dojo(no chão de madeira) e não deve conversar com nenhum participante. A forma correta de sentar é tanto em seiza(ajoelhado) ou agura(com as pernas cruzadas). Você verá praticantes avançados virem assistir as aulas(mitori-geiko) ficar mudando a posição de lótus para ajoelhados durante a reverência inicial e final e quando o professor estiver demonstrando as técnicas. A menos que o sensei te dê uma autorização especial, não é possível tirar fotos ou filmar durante a aula.
Frequentando as aulas
Antes de tudo, para poder treinar no Hombu Dojo, você deve ser um membro da Fundação Aikikai. Yudanshas reconhecido pela aikikai são registrados de facto desde seu exame de shodan, outros quando se registram em seus respectivos dojos. De toda forma você deve apresentar seu cartão de membro da Aikikai aonde consta seu número de registro. Não se preocupe caso você ainda não seja um membro da Fundação Aikikai, você pode se registrar na hora(os horários de atendimento são: Seg.-Sáb. 6:00-19:30, Dom. 8:30-11:30) antes da sua primeira sessão de treinamento preenchendo um formulário e pagando uma taxa de ¥ 8400 que te garantirá ser membro por toda sua vida. Você deverá apresentar seu cartão antes de cada sessão de treino. Existem dois tipos de cartões, um é para iniciantes e viajantes e o outro para alunos regulares(que estejam treinando por muitos meses e se graduando no Hombu Dojo). Dependendo da duração a sua estada, você deve requisitar um ou outro.
Visitantes podem participar tanto das aulas regulares quanto das de iniciantes, mas não de aulas especiais. Com relação às aulas específicas para mulheres contudo, apesar que as da parte da manhã necessitam uma filiação especial, as da noite são acessíveis a todas que tenham pago a taxa básica. A taxa básica é uma diária de ¥ 1575 que te permitirá você participar de quantas aulas você quiser no dia(verifique no site da Fundação Aikikai os horários e os professores). Se você pretende ficar algumas semanas ou mais em Tóquio, considere pagar a taxa mensal(¥ 10500 de segunda a sábado; ¥ 13650 de segunda a domingo). Importante notar que esta taxa se refere ao período do início ao fim do mês e não por 30 dias a partir do seu pagamento. Muitos comentem o erro de assumir esta última situação e acabam por ter que pagar mais. Portanto lembre-se disso quando se registrar para evitar criar uma situação constrangedora para o pessoal da recepção.
Horários e professores
Informações atualizadas podem ser obtidas no site da Fundação Aikikai. Note que às vezes os instrutores principais podem esta viajando e por isso são substituídos por outros. Portanto, mantenha-se atualizado acompanhando o site oficial.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
Minoru Mochizuki conhece Tadashi Abe
Traduzido livremente deste blog em espanhol.
Havi aum homem chamado Tadashi Abe, recentemente falecido. Em certa ocasão que visitei O'Sensei no dojo de Iwama para saudá-lo após o meu regresso ao Japão ao final da guerra(WWII), tive o seguinte encontro com ele. O'Sensei se encontrava feliz ao saber que eu havia regressado são e salvo e meu deu calorosa recepção. Fiquei para dormir esta noite no dojo. Nessa mesma noite veio ao meu quarto um homem com um aspecto de mau com um corte de cabelo estilo monge e me pediu permissão para entrar. Quando lhe dei permissão, ele entrou.
"- Me chamo Tadashi Abe. Sensei, posso lhe fazer uma pergunta direta?"
Lhe disse que me perguntasse o que quisesse. Me perguntou se eu realmente estudava Aikijujutsu de maneira séria. Naquela época a arte ainda não tinha o nome de Aikido. Quando respondi afirmativamente, me disse o seguinte:
"- É sério? Há tempos escuto muitas coisas sobre o senhor, sensei. Ouvi que teve experiência real em combate. Me parece estranho que alguém como o senhor esteja satisfeito com uma arte como o Aikijujutsu".
Qual perguntei a ele por que pensava assim me respondeu que nem Ueshiba sensei e nem o sr. Morihiro Saito seriam capazes de resistir a um combate contra ele nem por 3 minutos. Que ele os derrotaria com um só golpe.
-"Está muito seguro de si, não é?", respondi. "Acredita realmente que pode derrotar a Ueshiba sensei?", completei.
Respondeu que que acredita ser fácil para ele derrotar O'Sensei e ainda disse:
- "Tenho observado muito a Ueshiba sensei e não me convence praticar uma arte como Aikijujutsu. Estou seguro que posso derrotá-lo só com golpes de boxe. Soube que o senhor põe ênfase no combate, correto?"
O respondi como segue:
- "Já estive em muitas brigas de rua, mas não incluiria isso na categoria de combate. E também já invadi acampamentos inimigos com o sabre em mãos."
Então me perguntou se o Aikido realmente era útil ou não para lutar. Quando respondi que o Aikido não só era útil para lutar mas também para tempos de guerra disse que minha resposta não o convenceu. Então sugeri que me atacasse e fiquei aguardando, indicando que o fizesse da maneira que melhor conhecesse. Me pediu que ficasse em guarda. Respondi:
- "Não peça coisas desnecessárias. Não há como derrotar um inimigo se ele lhe diz o que fazer. Ataque-me como quiser!"
Abe murmurou: "Sensei, posso realmente te atacar? É estranho, tens abertura em todas as partes..." Então se pôs em guarda e me atacou de repente. Me esquivei do golpe(taisabaki) e lhe dei um soco. Gritou e caiu ao chão. Imediatamente apliquei uma técnica de ressuscitação(katsu) e uma massagem.
- "Como pode alguém como você, que se desmorona e perde os sentidos quando recebe um pequeno chute, durar algo em uma luta?"
- "Sensei, no Aikido há técnicas de chute?"
- "Estúpido! O que quer dizer com essa pergunta? Empregamos técnicas de chute ou o que for necessário. Inclusive já empreguei artilharia. As artes marciais, as armas e a artilharia, todas são Aikido. O que você acha que é o Aikido? Acha que se trata de torcer punhos? É um meio de guerra...Uma ação de guerra! O Aikido é uma luta com sabres de verdade. Empregamos a palavra "Aiki" por que com ela podemos sentir a mente do inimigo que vem a atacar, de maneira que possamos responder de maneira imediata. Veja o Sumô. Quando autorizados(Mitte, Mitte) se levantam e se lançam um contra o outro em um flash. Isso aí é "Aiki". Quando uma pessoa enfrenta um inimigo estando em um estado mental livre de toda idéia ou pensamento e instantâneamente capaz de lidar com ele, a isso chamamos de "Aiki". Em tempos antigos se chamava de "Aiki no jutsu". Assim, a artilharia ou qualquer coisa se converte em "Aiki"."
- "Ah, acho que estou entendendo!"
- "Se ainda não entende, venha me ver quando quiser,"
Depois desse episódio, Abe ficou com medo de mim e só me cumprimentava de longe. Mas quando fui enviado(por Ueshiba sensei) à Europa me pediu que o levasse como assistente.
Durante o tempo en que estive na Europa também tive experiências interessantes. Como praticávamos coisas como luxação de pulsos algumas pessoas me perguntavam se este tipo de treinamento seria útil em uma luta real, assim que lhes dei a seguinte explicação:
- "Quando praticamos, aprendemos a maneira correta de mover o corpo e como empregar a força(kokyu ryoku) de maneira racional. Mediante do uso do "Aiki" serás capaz de responder imediatamente quando um inimigo se aproximar com a intenção de atacar. Dessa maneira você poderá se defender de qualquer um."
Um aluno então me perguntou: "Então posso trazer uma pistola? Se usar uma pistola sensei, o que o senhor faria?"
Minha resposta foi que então eu traria um rifle.
Minoru Mochizuki, 10º dan
Havi aum homem chamado Tadashi Abe, recentemente falecido. Em certa ocasão que visitei O'Sensei no dojo de Iwama para saudá-lo após o meu regresso ao Japão ao final da guerra(WWII), tive o seguinte encontro com ele. O'Sensei se encontrava feliz ao saber que eu havia regressado são e salvo e meu deu calorosa recepção. Fiquei para dormir esta noite no dojo. Nessa mesma noite veio ao meu quarto um homem com um aspecto de mau com um corte de cabelo estilo monge e me pediu permissão para entrar. Quando lhe dei permissão, ele entrou.
"- Me chamo Tadashi Abe. Sensei, posso lhe fazer uma pergunta direta?"
Lhe disse que me perguntasse o que quisesse. Me perguntou se eu realmente estudava Aikijujutsu de maneira séria. Naquela época a arte ainda não tinha o nome de Aikido. Quando respondi afirmativamente, me disse o seguinte:
"- É sério? Há tempos escuto muitas coisas sobre o senhor, sensei. Ouvi que teve experiência real em combate. Me parece estranho que alguém como o senhor esteja satisfeito com uma arte como o Aikijujutsu".
Qual perguntei a ele por que pensava assim me respondeu que nem Ueshiba sensei e nem o sr. Morihiro Saito seriam capazes de resistir a um combate contra ele nem por 3 minutos. Que ele os derrotaria com um só golpe.
-"Está muito seguro de si, não é?", respondi. "Acredita realmente que pode derrotar a Ueshiba sensei?", completei.
Respondeu que que acredita ser fácil para ele derrotar O'Sensei e ainda disse:
- "Tenho observado muito a Ueshiba sensei e não me convence praticar uma arte como Aikijujutsu. Estou seguro que posso derrotá-lo só com golpes de boxe. Soube que o senhor põe ênfase no combate, correto?"
O respondi como segue:
- "Já estive em muitas brigas de rua, mas não incluiria isso na categoria de combate. E também já invadi acampamentos inimigos com o sabre em mãos."
Então me perguntou se o Aikido realmente era útil ou não para lutar. Quando respondi que o Aikido não só era útil para lutar mas também para tempos de guerra disse que minha resposta não o convenceu. Então sugeri que me atacasse e fiquei aguardando, indicando que o fizesse da maneira que melhor conhecesse. Me pediu que ficasse em guarda. Respondi:
- "Não peça coisas desnecessárias. Não há como derrotar um inimigo se ele lhe diz o que fazer. Ataque-me como quiser!"
Abe murmurou: "Sensei, posso realmente te atacar? É estranho, tens abertura em todas as partes..." Então se pôs em guarda e me atacou de repente. Me esquivei do golpe(taisabaki) e lhe dei um soco. Gritou e caiu ao chão. Imediatamente apliquei uma técnica de ressuscitação(katsu) e uma massagem.
- "Como pode alguém como você, que se desmorona e perde os sentidos quando recebe um pequeno chute, durar algo em uma luta?"
- "Sensei, no Aikido há técnicas de chute?"
- "Estúpido! O que quer dizer com essa pergunta? Empregamos técnicas de chute ou o que for necessário. Inclusive já empreguei artilharia. As artes marciais, as armas e a artilharia, todas são Aikido. O que você acha que é o Aikido? Acha que se trata de torcer punhos? É um meio de guerra...Uma ação de guerra! O Aikido é uma luta com sabres de verdade. Empregamos a palavra "Aiki" por que com ela podemos sentir a mente do inimigo que vem a atacar, de maneira que possamos responder de maneira imediata. Veja o Sumô. Quando autorizados(Mitte, Mitte) se levantam e se lançam um contra o outro em um flash. Isso aí é "Aiki". Quando uma pessoa enfrenta um inimigo estando em um estado mental livre de toda idéia ou pensamento e instantâneamente capaz de lidar com ele, a isso chamamos de "Aiki". Em tempos antigos se chamava de "Aiki no jutsu". Assim, a artilharia ou qualquer coisa se converte em "Aiki"."
- "Ah, acho que estou entendendo!"
- "Se ainda não entende, venha me ver quando quiser,"
Depois desse episódio, Abe ficou com medo de mim e só me cumprimentava de longe. Mas quando fui enviado(por Ueshiba sensei) à Europa me pediu que o levasse como assistente.
Durante o tempo en que estive na Europa também tive experiências interessantes. Como praticávamos coisas como luxação de pulsos algumas pessoas me perguntavam se este tipo de treinamento seria útil em uma luta real, assim que lhes dei a seguinte explicação:
- "Quando praticamos, aprendemos a maneira correta de mover o corpo e como empregar a força(kokyu ryoku) de maneira racional. Mediante do uso do "Aiki" serás capaz de responder imediatamente quando um inimigo se aproximar com a intenção de atacar. Dessa maneira você poderá se defender de qualquer um."
Um aluno então me perguntou: "Então posso trazer uma pistola? Se usar uma pistola sensei, o que o senhor faria?"
Minha resposta foi que então eu traria um rifle.
Minoru Mochizuki, 10º dan
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
Aikido para deficientes visuais
Há algum tempo venho com essa ideia na cabeça, expandir a prática para pessoas com algum tipo de deficiência. Durante os treinos sempre procurei fechar os olhos antes de executar uma técnica ou mesmo quando sou uke. Isso para tentar sentir melhor o caminho que devo seguir, perceber onde estou tenso, buscar entender melhor essa coisa de aiki, união, harmonia. E tem dado certo, acho que melhorei bastante.
Isso me fez pesquisar mais na internet sobre o assunto. Buscar relatos de experiências do gênero em dojos do mundo todo para montar um projeto visando isso aqui no Brasil. Nesta busca encontrei o texto de Christopher Bartlett, aikidoca cego, e que traduzo abaixo(o original publicado no site aikidofaq pode ser lido aqui).
Ensinando crianças com deficiência visual
por Christopher Bartlett
Sendo eu mesmo um aluno cego, vamos começar pelo óbvio. Nem todos os cegos foram criados iguais. Por mais estranho que pareça, há pessoas cegas que não são muito boas no campo tátil e que precisam de orientações verbais firmes para auxiliá-los em seu "não tão bom" tato. Isso será particularmente verdadeiro em alguém cuja cegueira seja recente.Então não assuma que permitir ao aluno que sinta algo irá magicamente ajudá-lo a entender.
Seguinte, enquanto a visão é um sentido no modo paralelo, o tato é, definitivamente, serial. Você só é capaz de tocar parte de um objeto do tamanho do corpo de um outro ser humano de cada vez. Há um problema com a priorização. Tente mostrar demais, ou fazê-lo de uma forma desconexa e você terá a parábola do cego e o elefante. Foque no ponto que você deseja desenvolver e certifique-se que ele tenha sido compreendido antes de seguir adiante.
Certifique-se de entender que alguém que não pode enxergar ficará inseguro em se mexer com o corpo todo em um ambiente que ele não tem intimidade, mesmo que conscientemente ele saiba que seja seguro. A tentação é ser experimentativo, tentar e buscar as bordas, paredes e outros obstáculos, mesmo quando estejam longe o bastante para não termos o contato com eles. Isso pode ser desorientador algumas vezes.
Exemplo: nós andamos para lá e para cá no tatame algumas vezes quando praticamos vários tipos de movimentações. Em cada ponta do tatame existe uma pequena diferença entre o piso aonde o tatame está e o chão aonde as pessoas circulam. Já bati meu dedão ali algumas vezes, então eu tendo a para um pouco antes da beirada. Estou tentando aprender a sentir com meus pés a perceber o quão próximo do fim do tatame eu estou. mas muitas vezes isso afeta o meu giro adversamente.
Se seus alunos são parecidos comigo, eles adorarão estar em contato com o uke e de início serem um pouco ardilosos em relação à fase de finalização da técnica. Os alunos cegos tem que fazer antes o que vocês farão em algum momento, retirar a ênfase na visão como um método de perceber quando e qual ataque está vindo. Para ensinar o básico, fique nas técnicas de contato um pouco mais de tempo do que você ficaria com um aluno que enxerga. Ensine também alguns movimentos simples de esquiva que eles possam fazer, mesmo com o tempo de reação reduzido que eles provavelmente terão.
Estas são apenas algumas dicas que me ocorrem no momento. Espero que sejam úteis.
terça-feira, 28 de junho de 2016
Nova postura da Aikikai?
O principal evento do aikido nesse ano de 2016 foi sem dúvida a promoção de Christian Tissier sensei ao 8º dan. Seria isso um início da mudança de postura da Fundação Aikikai/Aikikai Hombu Dojo?
Sempre foi divulgado extra oficialmente a intenção da Aikikai de "reservar" qualquer graduação a partir de 8º dan aos japoneses. Nono dan será impossível ser novamente concedido até a um japonês. Décimo nem pensar. Porém, no Kagami Biraki de 2016 fomos "supreendidos" com a promoção de Tissier shihan. Promoção mais do que merecida. Afinal, a partir do quinto dan as promoções são por merecimento, não por exame. E Tissier sensei mais do que já havia feito por merecer depois de tantos anos dedicados à nossa arte.
No ano passado, resguardadas as devidas proporções, também tivemos uma demonstração do gênero quando Maruyama sensei foi promovido ao 7º dan. Até então todos os sétimos dan do Brasil eram japoneses(Ono, Shikanai e Nishida senseis). Ainda que Maruyama sensei seja descendente de japoneses, já é um sinal de que as coisas por aqui também mudarão. Além disso, nesse ano tivemos diversas promoções de brasileiros ao 6º e ao 5º dan.
Agora é aguardar o próximo Kagami Biraki. Particularmente acho que há uma forte possibilidade da promoção de Ono sensei ao 8º dan.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Aikido contra zumbis
Há algum tempo atrás, sei lá, uns 2 meses passados, houve um tremendo agito no mundo aikidoca em relação à nossa amada arte ter aparecido na renomada série The Walking Dead. Isto viria a ser uma grande propaganda para nós.
Curioso, consegui assistir o episódio. Tudo inicia(o episódio) quando um personagem é aprisionado por um outro. Ao longo do cárcere, o algoz oferece a ele o livro chamado "A arte da paz", com vários dizeres de O'Sensei. E aí acaba a única referência ao aikido. Em seguida os dois se tornam amigos e até mais, mestre e discípulo em relação ao uso de um bastão com movimentos que nunca vi no aikido.
Abaixo segue o vídeo
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Michio Hikitsuchi Sensei: 8 dicas em como elevar seu aikido para o próximo nível!
Esta é uma tradução livre de um texto publicado no site Aikido Journal e escrito por Stanley Pranin. O texto original está em inglês e pode ser lido clicando aqui.
Estes conceitos essenciais do Aikido são tratados em "Essential teachings of Aikido" de Michio Hikitsuchi sensei. Este curso de 61 lições tem filmagens profissionais de vídeos instrucionais deste mestre 10 dan de Aikido e cobre tanto aspectos técnicos como filosóficos.
Estes conceitos essenciais do Aikido são tratados em "Essential teachings of Aikido" de Michio Hikitsuchi sensei. Este curso de 61 lições tem filmagens profissionais de vídeos instrucionais deste mestre 10 dan de Aikido e cobre tanto aspectos técnicos como filosóficos.
Hikitsuchi sensei é uma importante figura histórica devido ao seu extenso contato com Morihei Ueshiba durante as viagens deste último a Shingu situada próxima à cidade natal do fundador(Tanabe). Ele também era um pastor Shintoísta e tinha a habilidade de compreender a maneira misteriosa que Ueshiba frequentemente usava para falar. Um dedicado seguidor do fundador, Hikitsuchi foi capaz de reproduzir fielmente os discursos e as explicações técnicas de Ueshiba com estranha exatidão durante sua longa carreira ensinando em Shingu.
Os conceitos devem ser acima de tudo mantidos em mente por aqueles que pretendem melhorar suas técnicas de Aikido já que eles refletem com precisão o pensamento do fundador. Eles vão além de meras questões técnicas e têm implicações éticas e estratégicas.
1. Tomando a iniciativa: Michio Hikitsuchi ressalta que devemos controlar o uke bem no início do encontro. Esperar pelo ataque de uma pessoa é se tornar consciente dela como adversária. Somos levados a transcender os papéis de atacante ou defensor. Se o atacante toma a iniciativa, o defensor tem uma enorme redução no seu tempo de resposta. O defensor deve tentar sair da linha de ataque, desequilibrar o atacante e executar o contra-ataque em uma fração de segundos
2. Sinceridade do ataque: em seu papel como uke, você ataca com total intenção e sinceridade? O aikido depende de que ambas as partes tragam energia pura para a prática. É um erro o uke usar o fato de conhecer a técnica que será usada para mudar seu ataque. A prática correta depende da sinceridade do ataque do uke.
3. Shinken shobu: você deve colocar tudo o que tem no seu Aikido como se sua vida estivesse em risco. De outra forma seu verdadeiro coração nunca irá se manifestar.
4. Masakatsu Agatsu: Verdadeira vitória, vitória sobre si: o verdadeiro objetivo do Aikido não é vencer um oponente, mas principalmente sobre si mesmo através do processo de purificação na prática.
5. Inryoku: Poder atrativo é o que reprime a vontade de atacar do uke. É o que instantaneamente pára o ki do uke quando ele pensa em atacar.
6. Katsuhayabi: Velocidade independente de espaço e tempo: no Aikido a questão é decidida no momento do encontro. É decidida no momento em que uke e nage se encontram. O uke pensa em atacar, mas ele mesmo é golpeado.
7. Shugyo: Disciplina ascética: A pratica do Aikido é uma disciplina para polir o caráter da pessoa e viver a vida em harmonia coma natureza divina.
8. Takemusu Aiki: Ao longo do tempo, sua prática do Aikido irá levá-lo ao "Takemusu Aiki" aonde você será capaz de gerar um número ilimitado de técnicas marciais espontâneamente. Este é o ideal supremo do fundador do Aikido Morihei Ueshiba.
É absolutamente necessário ter este tipo de informação de qualidade se você desejar a excelência no Aikido e que este seja uma disciplina de transformação da sua vida. Faça um pacto com você mesmo hoje para melhorar seu treinamento. Absorva os ensinamentos inspiradores do fundador do Aikido em uma linguagem compreensível.
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Ética e conduta no aikido segundo a Fundação Aikikai
No site da Aikikai Foundation foram disponibilizados os códigos de ética e conduta do aikido como definido por eles. Ainda que genéricos e filosóficos demais, não trata-se de nada que ultrapasse o bom senso, vale a pena ler. Estão em arquivos PDF em japonês(kanji e romanji) e inglês. Abaixo uma tentativa de tradução livre para o português:
Ética:
1. O objetivo do aikido é fortalecer corpo e mente acumulando treinamento diário e trabalho duro junto com nossos companheiros de prática.
2. No treinamento diário é necessário cultivar uma atitude mental para entender e respeitar nosso parceiros de treino. Dessa maneira, busca-se que a pessoa consiga um bom equilíbrio em sinceridade e devoção.
3. O espírito do aikido: Aiki significa amor. O verdadeiro caminho do Budo é cumprir a missão e a responsabilidade de cuidar e proteger todas as coisas. Aiki também significa superar o ego e eliminar o desejo de seu oponente de lutar. Assim, o Aikido torna-se uma forma de permitir um absoluto auto-aperfeiçoamento por eliminar a existência do próprio oponente.
Código de conduta:
. Esforço contínuo de perseguir o caminho do Aikido por toda sua vida
. Praticar o espírito do Aikido em sociedade
. Obedecer os termos da Fundação Aikikai seguindo os herdeiros da linhagem do fundador
. Cuidar da dignidade dos indivíduos
. Desejar a paz mundial e a felicidade dos seres humanos
. Respeitar a lei e a ordem
. Servir à sociedade
. Eliminar a discriminação e o assédio e agir de forma sincera
. Eliminar forças antissociais
. Proteger informações pessoais
Dessa forma, estabelecemos nosso código de conduta
sexta-feira, 15 de maio de 2015
Um bom dojo não é um lugar confortável
Continuando na reflexão descrita no artigo "Aikido, PNL, conflitos e o "Ganha-ganha""
O texto abaixo é uma tradução livre de um texto escrito por Peter Boylan e publicado em seu blog The Budo Bum. Para ler o texto original clique aqui.
O treino no sábado foi bom, mas não exatamente o que havia planejado. Começamos como previsto, trabalhando no kihon de jodo. No entanto, um pouco depois acabamos enveredando por um território perigoso. Começamos a analisar alguns princípios básicos. Um dos nossos alunos iniciantes tem alguma experiência prévia em aikido e kenpo e fez algumas perguntas muito boas relacionadas a ma'ai e intenção e origem. Claramente as respostas que ele obteve nem se aproximavam do que ele esperava, e nos quase pudemos ver uma fumacinha saindo de suas orelhas enquanto ele tentava processar as novas ideias. Ele terminou por se ver tendo que revisar coisas que ele achava já entender. Um bom dojo é um lugar perigoso para questões preconcebidas e conceitos muito arraigados. Ele pode ser bastante brutal para conceitos que não tenham sido construídos sobre uma base sólida. Um bom dojo pode fazer você se questionar quem e o que você é. Um bom dojo não ensina apenas técnicas de luta. Um bom dojo dever fazer você olhar para si mesmo e ajudá-lo a livrar-se de uma auto-ilusão e de compreensões simplórias.
De maneiras bastante sólidas, meu aluno está descobrindo que o que ele achava que sabia sobre o efetivo alcance das armas e onde ele estaria seguro não era tão exato. A maneira efetiva como ele está aprendendo isso é estando no lado errado de um pedaço de maneira cutucando ele no estômago ou parando quando já está quase acertando a sua cabeça.
Há diversas maneiras em que um dojo pode ser desconfortável que sejam menos "físicas" que uma vara nas suas entranhas, mas elas não são menos verdadeiras. Todos temos áreas em que somos menos do que perfeitos, e treinar em um bom dojo nos fará atentar para elas. Budo é essencialmente sobre lidar com um conflito. O que ninguém me disse quando eu comecei foi que os conflitos mais difíceis seriam internos.
Todo mundo começa no budo por uma grande variedade de objetivos; aprende a lutar, parar de ser intimidado por pessoas agressivas, aprender sobre samurais, ganhar um senso de poder pessoal, aprender a se defender. Essas apenas algumas das razões que ouvi das pessoas que começaram nas artes marciais. Todas são boas razões para começar na jornada. Só que a jornada envolve lidarmos com muitas partes nossas que nós nunca tivemos a intenção de lidar e ir a lugares em nossa mente que nunca pensamos que iríamos.
Muita gente começa no budo sem estarem confortáveis com a questão de bater em uma pessoa ou fazer qualquer coisa que eles achem que possa ferir alguém ou que possa ser agressivo. Isso é um problema para pessoas que querem aprender a se defender. Esse é um problema geralmente aparente para as pessoas antes mesmo de entrarem em um dojo, então é algo que elas realmente querem confrontar. Treinar todos os dias os faz ficar cara-a-cara com essa questão. Mais importante, os leva a ficar em contato com alguém mais experiente ou um professor que os está dizendo "me bate" ou "me projete" ou alguma outra versão de ataque, mas todos nós crescemos sabendo que pessoas boas não batem em outros.
Quando um iniciante diz "Eu não quero te machucar", ele está admitindo diversas coisas. Primeiro, que ele crê que pode machucar pessoas. Segundo, que ele não confia que tenha controle o bastante para não machucar alguém, e, terceiro, e que em algum nível ele acha que o professor não seja capaz de lidar com o que ele esteja fazendo.Todas essas três coisas fazem a maioria das pessoas ficarem desconfortáveis.
A sociedade não aprova que as pessoas sejam machucadas e nós crescemos internalizando isso. Vir a um dojo é desconfortável inicialmente por que estudar budo envolve aprender a machucar as pessoas e tudo em nossa cultura diz que isso é "mau". Então a primeira coisa desconfortável que temos que superar é a ideia de que saber lutar não é uma coisa "boa" das pessoas aprenderem. Eu tenho consciência que estou pregando para o coro aqui, já que suspeito que todos que estejam lendo esse artigo já treinam alguma arte marcial. Mas pense nisso fora do dojo. As pessoas tem medo de quem tem habilidades de luta, mesmo que as pessoas no seu trabalho nunca tenham visto você fazer nada além de destruir documentos velhos. Esta é apenas a primeira coisa que as pessoas devem se acostumar(N.T. o autor se refere às pessoas que querem estudar budo).
No judo e no aikido, o próximo temor que as pessoas devem superar é o medo de cair. Nós passamos metade do nosso treino usando nosso parceiro para praticar as técnicas e na outra metade sendo usados por ele, o que envolve cair muitas vezes. cair é algo que aprendemos a evitar desde crianças, por que machuca e é embaraçoso para nós. Pode levar um tempo até ficarmos confortáveis com as quedas. É o oposto do que as pessoas estão acostumadas, mas eu gosto muito de cair. Você pode sentir a técnica, como o seu parceiro se move e prepara a projeção e como ele toma cuidado ou não toma cuidado com o parceiro. Francamente, eu também acho muito legal que alguém possa me jogar forte o bastante contra o chão a ponto de poder quebrar algum osso e eu consiga levantar e dizer "Foi muito bom! Faz de novo!". Uma vez que você supere o medo de se machucar, cair é divertido.
O maior desconforto para muitas pessoas é o medo de eles realmente machucarem alguém. Eles não confiam que sejam capazes de não machucar seu parceiro e muitas pessoas não se sentem confortáveis em ter poder físico. Podemos desconsiderar o fato de que muitos iniciantes não tem habilidade o bastante para representarem algum tipo de ameaça para quem já treina há algum tempo, Novos alunos devem superar o sentimento que apenas tendo o conhecimento de como machucar pessoas, muito menos tendo habilidade para isso, seja algo ruim.
Adicione a isso aquela vozinha lá no fundo da mente de muitas pessoas que elas não devem confiar em si mesmas tendo aquela habilidade ou conhecimento. "E se eu ficar nervoso e acabar fazendo alguma coisa que me arrependa?", "E se eu não for bom o bastante para controlar minha técnica e machucar alguém sem querer?", "E se eu realmente curtir o fato de ser poderoso e me tornar um valentão?". As pessoas tem todos os tipos de preocupação, alguns deles podem até parecer bobos. Até que você já esteja pelo dojo tempo o bastante para ver pessoas fazendo as piores coisas. Aí você saberá que as preocupações não são tão bobas.
Não confiar que o professor seja capaz de lidar com o que o aluno faz é um obstáculo bem mais fácil de ultrapassar do que a falta de auto-confiança. Depois de algumas vezes com o professor dizendo "me bate', o aluno finalmente decide que é isso que ele realmente quer(o professor) e que isso é problema dele (do professor) se você o machucar. O aluno tenta acertar o professor e descobre que o professor não está aonde ele bateu. Pior, ou melhor, o professor contra atacou que seria bem desagradável se o professor não tivesse um controle tão bom. Não precisa repetir muitas vezes isso para que o aluno comece a confiar que o professor é capaz de fazer aquilo que ele diz e que irá mantê-los seguros.
Aprender a confiar em si mesmo é muito mais difícil. Nós não temos muita experiência em conflitos físicos e violência na sociedade ocidental(o Japão é ainda mais pacífico). A maioria dos alunos nunca mais esteve sequer em uma queda de braço desde o colegial, muito menos tiveram que brigar. Antes de eles começarem a treinar, eles estão conscientes que podem machucar outros, mas eles não tem nenhuma técnica, então eles pouca ideia do que pode acontecer se fizerem alguma coisa. Iniciantes, o que é bastante razoável, não confiam em si. Eles não tem nenhuma habilidade técnica e não tem muito controle sobre o se próprio corpo, então não terem confiança na sua capacidade de atacar alguém ou de aplicarem uma técnica sem que machuquem seus parceiros de treino, é possivelmente bastante sábio.
Leva tempo para aprendermos a confiarmos em nós mesmos e entender do que somos capazes. A jornada para realmente confiarmos em nós mesmo é complicada, Os primeiros passos são aprender a confiar em sua técnica básica, que você pode cair de forma segura, ou arremessar seu parceiro ou atacar com precisão e controle. Uma vez que os alunos comecem a ter uma certa confiança em suas habilidades técnicas, eles esbarram questões desconfortáveis. Eu tenho auto-controle o bastante para isso? Posso perder a cabeça e acabar machucando alguém? Raramente me deparei com alunos que tivessem o auto-controle e a disciplina para continuarem treinando, mas faltasse auto-controle para usarem o que sabem apenas com um ótimo motivo. Esses alunos se preocuparem com isso é um bom sinal para mim, mas isso requer uma auto-reflexão e consideração que nunca é fácil e geralmente é desconfortável.
É duro considerar que talvez não sejamos seres humanos tão perfeitos. Isso faz a auto-reflexão uma das coisas mais desconfortáveis no treino. A medida que um aluno adquire habilidade, não é incomum para eles imaginarem que tipos de pessoas sabem essas coisas. Eu acho isso especialmente verdadeiro para as mulheres, "Meninas boazinhas não se comportam dessa forma". "Bater em pessoas não é coisa de mulher". "Uma lady está acima dessas coisas". Inclua nisso estereótipos com os quais as mulheres não podem lutar contra("Ele bate feito uma menina"), e os obstáculos mentais e emocionais rapidamente crescem. Tenho que agradecer a Ronda Rousey por demonstrar ao mundo que, sim, as mulheres podem lutar, Cada mulher que vem ao dojo, no entanto, deve fazer essa jornada mental.
Todo mundo deve decidir que é o tipo de pessoa que sabe lutar. Isto geralmente não é um problema para os homens, mas muito do que é ensinado em um dojo de artes marciais não é lutar. É o cuidado, quase uma ciência de como desconstruir uma outra pessoa. Que tipo de pessoas sabe essas coisas? Um monstro? Até que os alunos se sintam confortáveis em saber como deslocar uma articulação e quebrar membros, como sufocar alguém até que ele apague ou arremessar alguém através do salão de forma muito forte, eles ficarão desconfortáveis.
Os alunos devem olhar para dentro e perceber quem eles são, que tipo de pessoas eles são e decidirem que não há problema em saberem como fazer esse tipo de coisas violentas. Eles devem decidir que é ok eles terem este tipo de poder. É fácil dizer "Não é desafio nenhum isso" quando você olha de fora. Todos temos facetas que não gostamos, traços de personalidade e características que não temos orgulho, e talvez até disso tenhamos vergonha. Essas partes de nós também irão adquirir esses conhecimentos e habilidades.
Estas são apenas algumas questões que as pessoas devem superar ao iniciar em uma arte marcial. Obstáculos serão mais altos ou mais baixos de acordo com a pessoa. E há as questões pessoais que as pessoas podem trazer com elas. Se alguém sofreu algum abuso ou trauma, só ao pegar a mão do parceiro para treinar uma torção pode ser difícil. Permitir que o parceiro as arremesse pode ser um pulo de confiança, fé e coragem maior que ela já tenha tido que dar.
Estar no dojo pode não ser confortável, mas é bom. Um bom dojo dá ao aluno um lugar para trabalhar todas essas questões. Bons professores dão aos alunos o suporte para as atravessarem. Conheci pessoas que diziam que é necessário "apertar os botões das pessoas" para ajudá-las a crescer. Eu descobri que apenas estando no dojo treinado ativamente é geralmente mais do que o necessário. O que fazemos no dojo é jogar com a violência, agressão e força. Coisa que não é permitida em um sociedade educada. Apenas trabalhando com essas coisas, aprendendo a controlar e como aplicá-las irá fazer as pessoas encararem partes delas as quais elas evitam no seu dia-a-dia.
Algumas vezes o stress do treino expõe pedaços nossos que não gostamos de ver. Talvez estejamos prontos demais para ficarmos nervosos com a outra pessoa quando somos machucados sem querer durante a prática. Talvez a gente descubra que não é tão bom sob a pressão de um ataque firme, contínuo e que começamos a entrar em pânico. Pode ser a descoberta de que não suportamos perder, mesmo que perder em um randori não seja realmente perder. Estas são apenas algumas questões que podem surgir em um dojo.
Trabalhar com essas coisas pode tornar o dojo um lugar desconfortável, mas um ótimo lugar para aprender não somente como lutar ou infligir dor, mas também que tipo de pessoa você é. Olharmos para nós mesmo de forma clara é quase sempre desconfortável, mas estar no dojo demanda isso. Que olhemos para nós repetidamente a medida que progredimos. Talvez seja simplesmente descobrindo que não sabemos coisas que achávamos que tínhamos entendido. Tudo isso envolve descobrir que não somos tão bons quanto achávamos que éramos.
É para isso que o dojo existe. Você não será um bom lutador se não conhecer suas fraquezas, então um bom dojo o ajuda a lidar com as suas questões e fraquezas que você encontrará. Um bom dojo é um pouco desconfortável por que ele te dá um espelho para você olhar para dentro de si. Um bom dojo é maravilhoso por que ele te dá o suporte e estrutura para lidar com o que você verá nesse espelho.
(C)Peter Boylan - Todos os direitos reservados
Isso quer dizer que você não deve usar o texto sem autorização do autor Peter Boylan
(C)Peter Boylan - Todos os direitos reservados
Isso quer dizer que você não deve usar o texto sem autorização do autor Peter Boylan
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Aikido, PNL, conflitos e o "Ganha-ganha"
Muito
escuto e leio artigos sobre a resolução de conflitos e o aikido. Em
todos que tive acesso percebi uma falha básica sob o meu ponto vista: a
premissa principal do aikido não é resolver conflitos, mas
evitá-los.
O aikido
me ensina, além de conceitos, a termos uma postura e uma atitude
adequada durante as 24 horas do dia. Por postura podemos entender no
aspecto físico, aonde a força aplicada sobre os músculos e os
ossos sustentam e conduzem nossos corpos com máxima eficiência e com um mínimo de esforço. Uma boa postura te permite se manter parado ou em
movimento com bom equilíbrio e bem centrado. Atitude deve ser
considerada como a “maneira de se comportar, agir ou reagir
motivada por uma disposição interna ou por uma circunstância
determinada”(Dicionário online de português –
http://www.dicio.com.br/atitude/).
Atitude está ligada a um aspecto mental, interno, não físico. Atingindo
o estado ideal dessas duas coisas conseguiremos trasmitir tamanha
segurança que ninguém conseguirá uma "abertura" para nos atacar, física ou verbalmente.
Bom, mas com muita frequência falhamos nisto, e aí? Aí sim entram
as técnicas e os conceitos que praticamos. Quando o conflito é
inevitável devemos usas as habilidades desenvolvidas e treinadas
para solucioná-lo, preferencialmente da melhor forma para você e
que não seja tão ruim para o outro.
Desde o
meu primeiro contato com o PNL(somente como curioso) percebo sempre
uma forte associação com o aikido. Realmente podemos traçar alguns
paralelos entre as duas coisas, mas pelo menos em uma delas não vejo
como. Não acho que seja possível aplicar no aikido(ou em qualquer
outra arte marcial) o conceito de “Ganha-ganha”, aonde,
obviamente, ambos sairiam ganhando em um conflito. A razão, para mim, é simples: no
aikido precisamos desequilibrar o oponente para que possamos tomar
o controle da situação. Em assim sendo nos impomos sobre a vontade
dele. Com isso nós necessariamente ganhamos e ele perdeu. Ainda que
o resultado seja positivo, aonde o perdedor percebeu que seu ponto de
vista ou que seu ataque era inadequado, e com isso tenha aprendido e
ganho uma boa experiência, ainda assim ele perdeu. Claro que o
oposto pode ser dito utilizando-se o mesmo argumento, mas o que quero
demonstrar, no contexto de “Ganha-ganha”, que isso não acontece.
Aikido é o estudo do aiki. Aiki é o equilíbrio das energias liberadas em um conflito, por exemplo. Mas é um equilíbrio que nos permita conduzir a energia negativa do ataque e transformá-la em positiva principalmente a nosso favor.
Posso
estar errado ou perdendo algum ponto importante nesse raciocínio,
portanto, caso você tenha alguma colaboração, por favor não
hesite em comentar aí embaixo.
Abraços
e bons treinos.
Isoyama sensei(Foto: http://www.aikidosangenkai.org/)
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Nova agenda de eventos
De forma a tornar mais fácil a consulta o registro de eventos de aikido, agora temos uma aba lá em cima chamada "Agenda de eventos" aonde está um calendário do Google com todos os eventos que tivemos conhecimento.
Caso você deseje que seu evento seja ali divulgado basta entrar em contato ou colocar um comentário que incluímos no calendário.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Entrevista com Nakatani sensei, o introdutor do aikido no Brasil
Nesta entrevista realizada em 2009, Teruo Nakatani sensei conta sua trajetória, inclusive relatando que o início do aikido em nosso país aconteceu em 1961.
Leia a entrevista completa em https://drive.google.com/file/d/0B2nGRe6kF9sLaVExa1IybmVYQlU/view?pli=1
Veja diversas fotos históricas em http://nakatanidojo.com/
7º encontro de aikido de Campos do Jordão
Tradicional evento de aikido realizado em Campos do Jordão chega à sua sétima edição. Mais informações em www.tentidojo.com.br/7encontro.
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