quinta-feira, 11 de março de 2010

Picaretagem braba no aikido

Um maluco colocou uns vídeos no Youtube com o título "New Brazilian Aikido". Ainda que sejam hilários cabe a nós alertamos que aquilo ali nada mais é que pura picaretagem. O pouco que é apresentado de aikido revela alguém que deve ter treinado no máximo uns 2 meses. Isso sem contar o uniforme do professor.

Abaixo segue o link para o vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=FZ-rgP3HP8g

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Desmistificando o aikido - parte 1

Por várias vezes encontrei a descrição do aikidô como a arte da harmonia com a natureza, de tornar-se uno com o universo. Vários são os defensores da teoria na qual o aikido não é somente o treino de técnicas no plano físico somente. A alegação é a de que é necessário entender a mensagem de O'Sensei para efetivamente estar praticando o aikido.

Quando iniciei na prática do aikido ingressei em um grupo onde o xintoismo deve ser levado em consideração sempre. No entanto meu primeiro professor não é(ou pelo menos não era) praticante da religião Omoto. Então como seria possível ele passar um ikyo dentro desse conceito?

Recentemente lí um texto traduzido aonde no final o responsável pela tradução alega que é fundamental o estudo do Xintoísmo pelos aikidoístas. Seguindo essa mesma linha então esse mesmo estudo também se faz fundamental para o judo, karate, o judaísmo é base do krav-magá, o candomblé(ou o que quer que seja) para a capoeria. Sem dúvida que O'Sensei era um devoto aficcionado pela sua religião e no aikido quis de alguma forma refletir o seu pensamento. Mas isso tudo faz sentido dentro da cultura japonesa. Eu não sou japonês.

Em um livro que também lí recentemente há um trecho onde o autor, um antigo uchi deshi de O'Sensei, pedia para que lhe mostrassem o “ki” ou pelo menos dissessem com o que ele se parece. Ninguém é capaz disso, o “ki” nada mais é que um conceito abstrato, vivo na cultura japonesa. Não sou capaz de distinguir uma técnica feita com “ki” de uma feita sem “ki”. Você é capaz? Jura? Nesse caso você provavelmente é o único. E mais, baseado em que você pode afirmar isso? Da mesma forma te pergunto, o que é se tornar uno com o universo? Como eu vou saber se consegui isso? A teoria é a de que nesse instante me tornaria invencível. Mas nem O'Sensei era invencível, se o fosse não teria sido derrotado quando de sua incursão em outro país junto com seu líder espiritual.

O aikidô não é religião. O'Sensei era religioso. Não confunda o criador com a criatura. O aikidô é uma manifestação puramente física. É uma arte marcial, uma forma de autodefesa. Fazer a ligação estreita das duas coisas seria a mesma coisa que dizer que a capoeira é a manifestação pura da religião dos negros escravos. Treinamos o aikido para no tornarmos pessoas melhores sim, tendo a consciência do mal que podemos causar a outros. Aí sim há uma forte relação com a religião, a preocupação com o próximo. Mas aí é uma aplicação prática, direta e objetiva, sem esoterismos.

Que tipo de efeito esse tipo de afirmação pode fazer sobre um iniciante? Será que já não é difícil o bastante tentar fazer as técnicas sem a preocupação de estar "ofendendo" o universo?

Nunca vi um sensei que tenha se harmonizado tanto com a natureza a ponto de se parecer com uma árvore. Até porque árvores não se movimentam e são facilmente derrubadas. É verdade que já vi vários senseis que se acham estrelas, alguns o próprio astro-rei e outros o próprio centro do universo. 

Taí, acho que tornar-se uno com o universo seja isso.

Isso sim é lutar de verdade

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Seagalogia

Recebí um email que encaminhava um link para uma matéria do Globo(Blog do Bonequinho). A matéria trata de um livro chamado "Seagalogy - A study of the ass-kicking films of Steven Seagal"(Seagalogia - Um estudo sobre os filmes arrebentadores de Steven Seagal). Foi escrito por um blogueiro com codinome Vern. Ainda não li e nem vi, apenas olhei a matéria.

Este é um tema interessante. Quantos aqui não começaram o aikido por causa dele e mais ainda acreditam ser o seu "estilo" o mais eficiente, o único verdadeiro aikido? Como disse num dos primeiros posts deste blog tive a oportunidade participar do seminário de Larry Reinossa. Não achei nada demais, nada mais eficiente do que costumo ver por aí. A imagem de Seagal no meio aikidoca se perpetua com a de alguém invencível ou de alguém medíocre. O cara está gordo, velho, etc, mas continua 7º dan e com certeza sabe sobre aikido.

Portanto, tentarei conseguir o livro por pura diversão. Quanto à séria Lawman, não tenho mito interesse em ver, mas se passar por estas bandas darei uma olhada.

Steven Seagal também é verbete

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Falecimento de Kawai sensei

Recebí através do Orkut a notícia que Kawai sensei teria falecido. Enteri em contato por email com a Aademia Central do grupo e aguardo confirmação. No entanto a notícia já foi divulgada em blogs de pessoas associadas ao grupo, o que nos leva a crer em sua veracidade.

Kawai sensei é considerado um dos responsáveis pela vinda do aikidô para o Brasil, em 1963. Sua trajetória é bastante controversa no aikido brasileiro. Odiado por uns, amado por outros Kawai shihan deixou sua marca. Seu grupo hoje se espalha pela América do Sul e alguns dos nomes mais graduados do Brasil, especialmente de São Paulo, foram seus alunos em algum momento.

Após um período na Europa aonde teria aprendido os primeiros passos do aiki budo sob a orientação Aritomo Murashige, volta ao Brasil e abre sua academia. Recebeu o 8º dan e o título de shihan de O'Sensei. Foi presidente da FEPAI durante muitos anos, tendo se desligado dessa organização na década de 80 fundando seu próprio grupo chamado União Sul Americana. Era um dos representantes oficiais do Aikikai Hombu Dojo no Brasil.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Nishida sensei promovido ao 7º dan

Tive conhecimento que neste último final de semana, durante a cerimônia do Kagami Biraki realizada no Hombu Dojo de Tóquio, Nishida sensei recebeu a graduação de 7º dan.

Deixo aqui meus parabéns a ele. Isso representa mais um grande passo no fortalecimento do aikido brasileiro.

Assim temos as seguintes graduações no país:

Kawai sensei 8º dan
Shikanai sensei 7º dan
Ono sensei 7º dan
Nishida sensei 7º dan


Nossas estagiárias parabenizam sensei Nishida

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Pérolas dos aikidocas

Todas essas foram retiradas das mais diversas fontes, mas que no entanto não se encerram nessa lista, com certeza outras virão. Mantive a grafia original.

"O Aikido é uma variação do tai chi chuan que ultiliza conhecimento em anatômia nos meridianos e pontos da acupuntura para manter um equilibrio próprio e desequilibrar o inimigo a evolução da própria energia e equilibrio são os pontos altos do Aikido, as artes marciais são na maioria tecnicas milenares o aikido é um aperfeiçoamento de algumas com a pretenção futurista de manter o centro e o equilibrio a ponto de nunca precisar usalo, (quando a superioridade em combate é notória o combatente em vantajem deve exercer a piedade)"

Nunca aprendi isso... meus senseis me enganaram esse tempo todo... sempre achei que era uma arte japonesa.... será que ele sabe tanto aikido quanto domina a língua portguesa?

"(...)sou faixa preta de Full Contact já pratiquei taichi, Rapikido,Kung Fu Garra de aguia e estou interessado em estar aprendendo o Aikido"

Rapikido? vem de rápido ou de rap? arte marcial do brooklin em Nova Iorque?

"O aikido existe desde o início do universo"

Bom, se alguns pregam que o aikido é tornar-se uno com o universo isso faz sentido.

"Quem conhece ou ouviu falar em Masanao Ueno agora pode fazer parte da comunidade Desde Mestre que foi um Verdadeiro seguidor da Verdade"

Um verdadeiro seguidor da verdade....

"Guilherme, antes de vir com esses "ouvi dizer" tenha conscinecia doque voce fala. Kawai Sensei foi encarregado de ser shihan aqui no brasil nao sei por quem mas foi do proprio hombu dojo(...)"

Não sei por quem......

"porque o aikido antes de ser uma arte marcial é um Budo."

Hã?

"Lembrem-se que estamos poluidos com a Filosofia Ocidental, eminentemente cientificista, que nega a Filosofia Oriental."

Hãããã?

"Hapkido - a arte marcial dos ninjas coreanos"

Ninjas na Coréia?

"fiz uma viajen pro oriente e meu o Steven Seagal e venerado pelo seu alto grau do aikido mano se liga no q vc fala o kara e rei tds mestres q conheci acham ele d+ so vc tem raiva ou seria inveja dele"

Bom, eu tenho inveja de alguém que escreve assim....

"Batman é ninja?"
Impagável...

“Tem sensei q diz q tem o poder da mente."
Só sensei tem isso?

"Michael 1/11/2006 9:14 AM
e o nada é a essência do todo.

Michel 1/11/2006 9:19 AM
o todo se esvai pelo sempre.

Michel 1/11/2006 9:21 AM
e o sempre permaia o fuyo.

Michel 1/11/2006 9:21 AM
e o fuyo...

Michel 1/11/2006 9:22 AM
...é um buiaco na paiede...

Michel 1/11/2006 9:23 AM
...onde se bota o paiafuso pra pindurá o barde."
He,he...

"mesmo os ferreiros japoneses utilizam muito, enquanto martelam a espada de frente ao kami-dana, recitando cânticos sagrados para encantar a lâmina."

Sai um gênio da lâmina encantada que nem da lâmpada do Aladin?

"Faixas coloridas servem pro dojo ficar mais fofo."

Podia ajudar o tatame a ficar mais fofo também... doeria menos cair.

" A diferença é que kawai sensei tem o maior grau de aikido da américa"

Uau, Yamada, Saotome, Chiba, Ikeda se deram mal...

“meu aikido versus O cao enlouquecido! estava correndo , quando comecava a anoitecer... um boxer quer estava livre de sua coleira me viu correndo e veio em linha reta pra mim. Sem chance de vence-lo numa corrida eu parei, entrei em kamae e projetei meu ki, o maldito cao ficou me circulando e latindo com frenezi enquanto eu matinha meu kamae apontando pra ele. Forçando-o a nao se aproximar de mim... dai o dono desesperado catou o cao pela coleira e pediu desculpa. Isso enquanto o cao se apoiava apenas nas patas traseiras.. cheio de furia “

Quero aprender a projetar o ki também... melhor não, pode passar alguém e pegar e nunca mais me devolver...




sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Diversidades

Cada um tem seu motivo para começar a prática do aikidô. E ao longo do tempo cada um também desenvolve seus próprios motivos para continuar treinando. E ainda mais, cada um desenvolve seu próprio tipo de treinamento.

Comecei no aikidô há mais de 17 anos. Ao contrário da grande maioria eu não tinha nenhum motivo específico para começar a treinar. Apenas queria fazer alguma atividade física. Na época ainda não havia internet como hoje, e por isso foi difícil achar uma academia. Durante muito tempo foi exclusivamente por essa razão que treinava, mexer o corpo, suar um pouco. Mas depois que o meu professor deixou de dar aulas, nos deixando sem pai nem mãe, e tendo assumido um aluno dele mais graduado, comecei a mudar a minha perspectiva em relação à arte.

Foi nesta época que comecei a ler mais sobre o aikidô. Passei a participar mais de seminários, encontros, treinos especiais. Foi também quando comecei a aplicar mais diretamente o que aprendia em aula, na minha vida. E também quando comecei a observar melhor os acontecimentos dentro do tatame. Para mim, aquela área delimitada pelas quatro linhas é um micro cosmo, um pequeno universo que representa toda a sociedade. Ali você encontra pessoas dos mais diversos tipos. Elas diferem não só em características básicas como altura, sexo, peso, aparência, mas principalmente na personalidade. Há os marrentos, os orgulhosos, os inseguros, os preguiçosos, os violentos, os desequilibrados, os animados, os bonzinhos, os malvados e maldosos.

Quantos não foram, não são e ainda serão aqueles que caem diante da mínima menção sua de fazer um determinado movimento e que apesar de avisados continuam com a mesma atitude. Por outro lado há aqueles que parecem feitos do metal mais pesado possível, que para serem movidos é necessário um guindaste. Existem aqueles que treinam de forma muito leve, basicamente uma dança. 

Por vezes alegando que assim o fazem por estarem em busca de um contato com o universo, porque querem desenvolver seu “ki”. Da mesma forma temos aqueles que treinam extremamente pesado, que estão “pouco se lixando” para essa baboseira de “ki”, de harmonia.

Não há problema nenhum nessas diferenças. O problema acontece quando esses mundos se encontram. Na verdade eles colidem. Vão acontecer reclamações dos dois lados quando isso acontece. “Pô, cara grosso, quase quebrou meu braço!”. “Não vou mais treinar com aquele pessoal não, eles atacam sem energia nenhuma!”. “Você está travando, têm que ficar mais solto.”. Quantas vezes já não ouvi isso. Quantas vezes já não falei isso.

Mas esta colisão só ocorre por falta de habilidade nossa em lidar com a diversidade. E se você já tiver uma certa graduação ou experiência na arte, mostra que você aprendeu pouquíssimo. E se você simplesmente não toma nenhuma atitude para reverter essa situação, mostra que você é um péssimo aikidoca. É necessário aprender a lidar e respeitar os limites de cada um.

Essas diferenças não podem ser encaradas como algo ruim. Pelo contrário, é justamente essa diversidade que torna a prática tão interessante, tão desafiadora, tão difícil. É isso que torna o aikidô aplicável ao seu dia-a-dia.

Cada um tem o direito de escolher a sua forma de treinamento. Isso só não pode significar que o praticante deva ficar estacionado nesta forma. A medida que for crescendo dentro da arte ele deve buscar uma melhora, uma mudança dentro da sua prática. Se você cai por qualquer motivo, procure estudar a razão disso e na próxima vez já não “caia” tão fácil. Em algum momento você vai chegar ao ponto de saber que não dá mais para evitar e a queda é inevitável. Isso poupará muitas contusões. Se você é extremamente forte e gosta sempre de enfiar a cara do uke no chão, reconsidere, veja se isso é realmente necessário, será que apenas desequilibrá-lo e imobilizá-lo não é o bastante?

Alegar que é sempre necessário treinar para arrebentar de forma a se preparar para uma “situação real” não convence. Pelo simples motivo que no treino não é uma situação real. “Treino é treino, jogo é jogo”, já disseram. Quebrar o braço de alguém toda aula não se justifica como preparação para uma situação violenta que você possa vir a se deparar.

A busca da união com o universo e do desenvolvimento do “ki” também não devem ser usadas como justificativas para um treino “ballet”. Se assim você o fizer estará apenas se enganando achando que está adquirindo uma habilidade na arte além de atrapalhar os outros.

Há ainda um grupo mais que ainda não citei. São aqueles que tratam o aikidô como religião.

Uma busca espiritual não deve ser feita em cima do tatame. Ela deve ser feita em um templo, uma igreja, através de uma religião qualquer. O aikidô não vai te dar respostas para questões existenciais. 

O aikidô não possui uma filosofia, como tanto as pessoas gostam de dizer. Filosofia é o questionamento diante de valores e interpretações comumente aceitas, é a reflexão de idéias, análise, discussão. O que há no aikidô é o reflexo das idéias de um homem, este sim muito religioso. O aikidô é a parte física, por assim dizer, que junto com a religiosidade de cada um, seja esta qual for, pode conduzir à iluminação.

A harmonia do aikidô vem de saber lidar com tudo e todos, saber transitar achando um ponto de equilíbrio. É saber usar a sua energia de forma adequada. Esse é o caminho proposto. É o de criar indivíduos capazes de agir adequadamente diante de qualquer situação, tornando-os assim capazes de viver e criar uma sociedade melhor.

Acredito que nada disso seja novidade. São coisas óbvias, mas que por isso mesmo é sempre bom sermos lembrados delas.